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Economia

Comissão vê indícios de fraude em aporte de R$ 361 mi do Banco Master

Órgão regulador identifica operações suspeitas que aumentaram artificialmente os números da instituição

O risco de insolvência do Master poderia provocar a intervenção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) | Foto: Banco Master/Divulgação
Parlamentares do centrão e da oposição intensificaram a pressão contra o Banco Central depois da negativa | Foto: Banco Master/Divulgação

Uma apuração da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) identificou suspeitas de crimes financeiros que envolvem o Banco Master. Segundo o órgão, a instituição teria aplicado R$ 2,1 bilhões em empresas sem capacidade econômica para devolver o capital.

O relatório adverte que essas operações podem ter inflado artificialmente o patrimônio do banco e ameaçam a solidez de sua estrutura financeira. No momento, o Banco Central analisa a proposta do BRB, banco estatal de Brasília, para comprar 58% do Master. O jornal O Estado de S. Paulo divulgou as informações nesta quarta-feira, 20.

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A negociação enfrenta resistências internas e já foi questionada pelo Ministério Público do Distrito Federal. Fontes próximas ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, relatam que ele não vê com bons olhos a operação.

O caso mais emblemático apontado pela auditoria envolve R$ 361 milhões investidos na Clínica Mais Médicos S.A., um pequeno consultório de Contagem (MG). A empresa registrava receita anual de apenas R$ 54 mil antes de receber os aportes milionários.

Para a CVM, a companhia servia como fachada. A sócia principal é uma ex-recepcionista que vive em um imóvel simples, incompatível com valores desse porte.

Os inspetores também observaram que a fachada da clínica não condiz com os recursos recebidos. As notas comerciais emitidas para captar os R$ 361 milhões tiveram um único comprador: o Banco Master.

Esse movimento levou à descoberta de outros aportes suspeitos em companhias ligadas a pessoas próximas ao controlador da instituição, Daniel Vorcaro.

Relatório indica risco ao patrimônio do Master

O parecer da CVM destaca que os aportes em dez empresas foram realizados entre 2022 e 2025, todos por meio da Laqus Depositária de Valores Mobiliários. Segundo a investigação, as companhias não tinham estrutura econômico-financeira compatível com as emissões.

O relatório afirma que o patrimônio líquido do Master passou de R$ 2,38 bilhões em 2023 para R$ 4,74 bilhões em 2024. Portanto, o órgão conclui que os aportes podem configurar crime de gestão fraudulenta, previsto no artigo 4º da Lei n° 7.492/86, cuja pena varia de três a 12 anos de prisão.

Em nota, o Banco Master negou irregularidades. “Os créditos citados, por meio do fundo mencionado, já foram integralmente quitados, não havendo qualquer exposição.”

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A instituição declarou surpresa com as alegações e afirmou que adotará medidas administrativas, civis e criminais para resguardar sua imagem. A Clínica Mais Médicos também se manifestou.

“Todas as operações financeiras realizadas com a referida instituição foram integralmente quitadas, inexistindo qualquer pendência financeira”, diz trecho da nota.  

A empresa disse atuar há mais de 30 anos no setor de saúde suplementar e defendeu sua conduta como ética e transparente. A Laqus, por sua vez, afirmou que apenas cumpre função de depositária. “Temos por obrigação regulatória validar se as transações cursadas em nosso ambiente de depósito atendem aos requisitos legais e infralegais de uma transação legítima de mercado de capitais”.

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