A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado, investiga indícios de lavagem de dinheiro que envolve o Banco Master e a Refit, nome da antiga refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro. As suspeitas se baseiam em movimentações financeiras que ultrapassam R$ 1 bilhão, apontadas em relatório de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Segundo o documento, a Refit mantinha uma conta no Banco Master. As suspeitas, porém, vão além da movimentação bancária da empresa ligada ao empresário Ricardo Magro. O relatório, diz o jornal O Estado de S. Paulo, também registra pagamentos considerados atípicos feitos diretamente ao banco do banqueiro Daniel Vorcaro entre 2023 e 2024.
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CPI: foco no maior devedor de ICMS em SP
A CPI pretende esclarecer a relação comercial entre os dois grupos, que pode conectar duas grandes investigações em andamento no país. O grupo Refit é alvo do Ministério Público de São Paulo e da Receita Federal por suspeitas de montar um esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. A empresa é considerada o maior devedor de ICMS do Estado de São Paulo, o segundo maior do Rio de Janeiro e um dos maiores da União, com acusações de sonegação que somariam cerca de R$ 26 bilhões.
A companhia entrou no radar das autoridades após a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, e seus desdobramentos. Investigações apontaram indícios de que o combustível comercializado pela empresa estaria abastecendo postos controlados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), que utilizaria o setor para lavar dinheiro do crime.
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Em manifestações anteriores, a Refit negou sonegação de impostos e repudiou qualquer tentativa de associar a empresa a organizações criminosas. No caso do Banco Master, a Polícia Federal do Brasil conduz a Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraude contra o sistema financeiro baseado na venda de ativos sem lastro real.
Segundo as apurações, o banco teria negociado cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes com o Banco de Brasília (BRB) e apresentado documentos falsos ao Banco Central do Brasil para tentar justificar a operação. Daniel Vorcaro foi preso no último dia 4 no âmbito das investigações.
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