A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto porcentual, para 14,25% ao ano, anunciada na quarta-feira 17 já era esperada pelo mercado. O que chamou atenção dos economistas foi a indicação do colegiado de que o ciclo de cortes está cada vez mais próximo do fim.
Essa foi a terceira queda consecutiva dos juros básicos da economia brasileira, que já haviam recuado em março (para 14,75%) e abril (14,5%). A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação.
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Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.
O que diz o mercado
Segundo Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, a decisão do Copom “sinaliza que o trabalho de combate à inflação está longe de terminar”. “O comitê retirou a indicação de que novos cortes seriam uma consequência natural do processo de calibração e passou a afirmar que a magnitude total do ciclo será definida à luz dos próximos dados”, observa o analista.
Para Spyer, o BC “entregou o corte esperado, mas com um discurso mais duro”. “A mensagem é clara: a barra para novos cortes ficou mais alta”, afirma. “O ciclo de flexibilização monetária está próximo do fim e, dependendo do comportamento da inflação, do câmbio, das commodities e do cenário fiscal, não está descartada uma pausa prolongada nos juros.”
Roberto Dumas, estrategista-chefe da GCB Investimentos, avalia que o ponto mais importante do comunicado divulgado pelo Copom depois do anúncio do corte de juros foi “a sinalização de um distanciamento adicional das projeções de inflação em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária”.
“A surpresa, portanto, não esteve na queda de 0,25 ponto porcentual, que já era esperada, mas na ênfase dada ao afastamento das projeções de inflação em relação à meta no horizonte relevante da política monetária. Esse foi o principal recado da nota”, diz.
Risco fiscal
Para Rafaela Vitoria, economista-chefe do Banco Inter, outro ponto de atenção no comunicado do Copom foi a menção ao risco fiscal entre as maiores preocupações relacionadas à pressão inflacionária.
“O Copom menciona que ‘estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo’, enfraquecem os canais de transmissão da política monetária”, afirma. “Ou seja, os novos estímulos fiscais podem interromper o processo de queda da Selic e poderemos ter juros mais elevados por mais tempo.”
Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, declara que o diagnóstico inflacionário descrito pelo BC é de clara “deterioração”. “A inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta, inclusive rompendo seu limite superior na última leitura”, alerta Benedito. “As expectativas do Relatório Focus seguem desancoradas, em 5,3% para 2026 e 4,1% para 2027, enquanto a projeção do Copom para o 4º trimestre de 2027 está em 3,7%, acima do centro da meta.”
A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 4 e 5 de agosto.





































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