O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a venda do Will Bank estava acertada para ocorrer em 18 de novembro de 2025. Segundo o empresário, o fundo Mubadala Capital, de Abu Dhabi, assinaria o contrato de compra na mesma manhã em que o Banco Central (BC) decretou a liquidação do Master.
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Daniel Vorcaro explicou, durante acareação realizada em dezembro, que a deflagração da Operação Compliance Zero interrompeu a negociação. “O contrato estava pronto. Seria um desfecho de final feliz para o sistema financeiro, que foi infelizmente interrompido pela operação”, declarou o banqueiro. Ele sustenta que a entrada de investidores estrangeiros resolveria os problemas de liquidez das instituições.
O Will Bank, que possuía 12 milhões de clientes e movimentou R$ 7,5 bilhões no último ano, sofreu liquidação extrajudicial em 21 de janeiro. O encerramento das atividades da instituição ocorreu semanas depois de as negociações mencionadas por Vorcaro fracassarem devido à intervenção judicial e policial nas empresas do grupo.
Fim do sigilo de depoimentos sobre o Master
O ministro Dias Toffoli retirou o sigilo dos depoimentos na noite de quinta-feira, 29. A decisão tornou públicos os relatos de Vorcaro, do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e do diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino. O material revela detalhes sobre a crise que atingiu o conglomerado financeiro no final do ano passado.
Além de detalhar a venda frustrada do Will Bank, Daniel Vorcaro rebateu as acusações de fraude no sistema de crédito. O empresário negou que os títulos emitidos pela empresa Tirreno fossem falsos. Ele afirmou que não possuía conhecimento técnico sobre as operações internas da companhia na época dos fatos.
A Polícia Federal continua a investigar se o grupo utilizou créditos sem lastro para inflar balanços e atrair investidores. O depoimento de Vorcaro faz parte do inquérito que apura um possível rombo bilionário no setor bancário, agora sob supervisão do STF por causa da citação de autoridades com foro privilegiado.
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