publicidade
Economia

Desvalorização do real no 1º semestre foi impulsionada por 'causas domésticas', diz estudo

Relatório de pesquisador da FGV também descarta a tese de que a alta do dólar foi causada por 'ataques especulativos'

Em abril, o Fundo projetava que o dólar médio ficaria em R$ 5,13 e, em outubro, cotação passou para R$ 4,99 | Fonte: Divulgação
Com a disparada do preço do dólar, R$ 1 equivale a US$ 0,18 | Foto: Divulgação

A desvalorização do real no primeiro semestre deste ano é atribuída principalmente a fatores internos, conforme estudo do economista Livio Ribeiro, pesquisador do FGV-Ibre e sócio da BRCG Consultoria.

A alta do dólar nas últimas semanas levou a moeda norte-americana a se aproximar de R$ 5,70, o maior patamar em mais de dois anos. Com a disparada do preço, R$ 1 equivale a US$ 0,18.

Receba nossas atualizações

Ribeiro é autor do modelo econométrico que analisa a formação do preço do dólar. Para ele, o Brasil não está sofrendo um ataque especulativo.

“Não há volatilidade, o movimento de depreciação do real é com uma única direção”, disse, em entrevista ao canal CNN nesta quarta-feira, 3. “O que está acontecendo é uma mudança rápida de patamar por causa do medo, do aumento da percepção de risco do país”.

Pesquisa mostra a formação do preço do dólar | Foto: Reprodução/CNN
Pesquisa mostra a formação do preço do dólar | Foto: Reprodução/CNN
Pesquisa mostra a formação do preço do dólar | Foto: Reprodução/CNN
Pesquisa mostra a formação do preço do dólar | Foto: Reprodução/CNN

O modelo econométrico de Ribeiro considera seis variáveis: cotação diária, CDS (risco país), DXY (índice do dólar contra uma cesta de moedas), CRB (índice de preços de commodities), juros dos títulos públicos de dez anos dos Estados Unidos e a diferença de juros de um ano entre a taxa norte-americana e a brasileira.

Entre 29 de junho e 1º de julho, o DXY teve alta de 4,5%, um movimento menos acentuado que o registrado contra o real. O estudo conclui que fatores domésticos responderam por 82,16% da alta do dólar no primeiro semestre, enquanto fatores externos contribuíram com 26,43%.

“Essa contribuição nesta intensidade não é usual no modelo que rodamos há mais de dez anos”, comentou Ribeiro.

A postura do Banco Central quanto à desvalorização do real

A reação do mercado às falas recentes do presidente Lula tem sido um fator relevante. A desvalorização intensa do real aumentou a pressão para que o Banco Central intervenha no mercado.

No entanto, o BC sinaliza que não é o momento para intervir, já que não há disfuncionalidade do mercado nem falta de liquidez. Ribeiro concorda: “Se o BC tratar esse movimento com disfuncionalidade, ele admite que o país está sofrendo um ataque especulativo e aí, sim, teremos um ataque especulativo”, prosseguiu. “Agora é momento de ficar ‘gelado’ e não reagir”.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o ruído causador da alta do dólar é gerado pelo próprio governo.

“Ajuste na comunicação, tanto em relação à autonomia do Banco Central, como o presidente fez hoje, quanto em relação ao arcabouço fiscal”, disse Haddad, em uma entrevista na terça-feira 2. “Não vejo nada fora disso: autonomia do Banco Central e rigidez do arcabouço fiscal, é isso que vai tranquilizar as pessoas. É uma questão mais de comunicação do que qualquer outra coisa”.

+ Leia mais notícias de Economia em Oeste

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.