A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para contribuintes com rendimentos de até R$ 5 mil mensais falhou em injetar fôlego financeiro no bolso da maior parte da população. A rodada de junho da pesquisa nacional Genial/Quaest, registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-07661/2026, revela que 65% dos brasileiros afirmam não ter recebido nenhum tipo de benefício direto ou indireto com as novas regras da tributação.
+ Leia mais notícias de Economia em Oeste
Receba nossas atualizações
O esvaziamento do impacto real da reforma, que entrou em vigor no primeiro dia de janeiro, joga luz sobre as dificuldades do Palácio do Planalto em converter mudanças fiscais em ganho político palpável. O instituto de pesquisas realizou 2.004 entrevistas presenciais e domiciliares para mapear a percepção dos eleitores a respeito da agenda econômica do governo federal.
Beneficiados relatam ganho irrisório no orçamento
Apenas 32% dos entrevistados declararam que a mudança na cobrança do imposto trouxe alguma vantagem para os seus lares. Mesmo dentro desse grupo restrito de beneficiados, o sentimento dominante é de frustração em relação ao tamanho da folga financeira. Entre as pessoas que viram alguma alteração na retenção do contracheque, 42% deixaram claro que não sentiram nenhuma diferença prática no poder de compra do dia a dia.
Outra fatia, de 34% dos cidadãos que entraram na nova faixa de corte, admitiu que a renda doméstica até aumentou com o fim da cobrança, mas o incremento foi considerado muito baixo diante da inflação. Os dados mostram que apenas uma minoria de 23% identificou uma melhora realmente expressiva nas finanças familiares depois da sanção presidencial.
Economistas criticam manobra eleitoral em meio ao rombo fiscal
A pouca efetividade da medida coincide com as análises de especialistas de mercado que já apontavam o caráter político do projeto, impulsionado pelo governo Lula. A decisão de zerar o imposto para salários de até R$ 5 mil foi amplamente criticada por economistas e consultorias privadas por ocorrer no auge de uma grave crise nas contas públicas. O reajuste da tabela foi classificado como um artifício eleitoreiro explícito para tentar fisgar o voto da classe média urbana, de olho na disputa presidencial.
O relatório da Quaest revela que as finanças continuam sendo o calcanhar de aquiles da administração federal. O levantamento identificou que a carestia dos alimentos e a inflação figuram logo atrás da violência urbana no topo do ranking das maiores preocupações do eleitorado, seguidas de perto pelo desemprego e pelas falhas no atendimento da saúde pública. Para 44% dos entrevistados, a situação econômica geral do Brasil piorou ao longo dos últimos 12 meses.
Leia também: “Inflação acelera e acumula alta de 4,61% em 12 meses”
Medo da violência vira a principal preocupação dos brasileiros, diz Quaest
Genial/Quaest: 60% querem PCC e CV classificados como terroristas
TCU vê subestimação de verba para desastres pelo governo Lula
Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.