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Economia

Master repassou R$ 3,6 bilhões em créditos à Reag

Lista apresentada à Justiça mostra cessões de empréstimos entre 2021 e 2025

Banco Master e Reag | Foto: Shutterstock

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O Banco Master transferiu R$ 3,6 bilhões em créditos de dívidas para 11 fundos da gestora Reag, sob investigação da Polícia Federal por suspeitas de fraude bancária e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. As operações, que ocorreram entre 2021 e 2025, mostram que contratos de empréstimos foram firmados no mesmo dia da transferência de créditos, levantando suspeitas de um esquema para inflar resultados financeiros.

O Banco Master repassou ao menos R$ 3,6 bilhões em créditos de dívidas para 11 fundos ligados à gestora Reag, investigada pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de fraude bancária e lavagem de dinheiro relacionada ao setor de combustíveis.

As operações constam de uma relação de 112 cessões de crédito apresentada à Justiça pelo liquidante do banco e fazem parte de um processo em que Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, tenta reverter o bloqueio de seus bens.

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O levantamento identificou operações realizadas entre 2021 e 2025. Segundo a documentação, em diversos casos o contrato de empréstimo foi firmado no mesmo dia em que o crédito era transferido para um fundo de investimento, o que, na avaliação dos investigadores, pode indicar um padrão de funcionamento das operações.

O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos | Foto: Divulgação/Reag
O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos | Foto: Divulgação/Reag

De acordo com a PF, a Reag teria participado da estruturação e da administração de fundos suspeitos de movimentar recursos de forma atípica e inflar resultados financeiros, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro. Um dos investigados é o fundador da gestora, João Carlos Mansur.

A principal hipótese dos investigadores é que as cessões de crédito permitiam ao Master abrir espaço em seu balanço para emitir novos Certificados de Depósito Bancário e captar mais recursos. Segundo essa linha de investigação, o banco levantava dinheiro com investidores, concedia empréstimos a empresas que, por sua vez, aplicavam os valores em fundos administrados pela Reag.

Esses fundos utilizariam parte dos recursos para adquirir os próprios créditos originados pelo banco. As informações foram divulgadas pelo portal Metrópoles.

Ainda conforme a investigação, os empréstimos deixariam de ser cobrados, transferindo o prejuízo aos fundos que adquiriram os direitos creditórios. Esse mecanismo é apontado como um dos elementos sob apuração pela Polícia Federal.

Entre as operações identificadas estão seis empréstimos que totalizam R$ 130 milhões para empresas do Grupo Gafisa, que tem o investidor Nelson Tanure entre seus acionistas.

O empresário Nelson Tanure é investigado no caso que envolve o Banco Master | Foto: Reprodução/X
O empresário Nelson Tanure é investigado no caso que envolve o Banco Master | Foto: Reprodução/X

Os contratos foram cedidos no mesmo dia ao Yvrac Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, veículo que conta com participação do próprio Banco Master. A primeira operação ocorreu em 2022, enquanto a mais recente foi registrada em setembro de 2025.

No último informe trimestral do Yvrac, elaborado pela Reag, a gestora afirmou que “os lastros apresentados estão em conformidade com a característica do fundo (Direitos Creditórios) e correspondem aos ativos refletidos na carteira”.

PF investiga estrutura de fundos da Reag

Outro fundo citado na documentação é o Astralo 95, que recebeu R$ 357 milhões em créditos do Master. O fundo integra a investigação da Operação Carbono Oculto, que apura fraudes, lavagem de dinheiro e o uso de empresas e fundos de investimento para ocultar recursos ilícitos em um esquema ligado ao setor de combustíveis e supostamente associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

MJSP, Polícia Federal (PF), o Ministério da Fazenda e a Receita Federal deflagrar as operações Quasar, Tank e Carbono Oculto para desarticular organizações criminosas envolvidas em esquemas bilionários de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e fraudes no setor de combustíveis. Foto: Isaac Amorim/MJSP
MJSP, Polícia Federal (PF), o Ministério da Fazenda e a Receita Federal deflagraram as operações Quasar, Tank e Carbono Oculto para desarticular organizações criminosas envolvidas em esquemas bilionários de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e fraudes no setor de combustíveis | Foto: Isaac Amorim/MJSP

O Astralo 95 faz parte da chamada “estrutura Frozen”, conjunto de fundos cujos nomes remetem a personagens da animação Frozen, da Disney, como Olaf, Hans, Sven e Anna. As operações de crédito transferidas ao fundo foram contratadas por oito pessoas físicas e jurídicas entre 2022 e 2024.

O fundo também é alvo de medidas adotadas pelo liquidante do Banco Master para impedir o desaparecimento de ativos da instituição. Em uma das ações, o Astralo 95 aparece em uma negociação na qual o fundo Anna teria obtido um ganho de R$ 200 milhões em menos de um dia.

Segundo a peça processual, o Anna adquiriu cotas do fundo RSG pertencentes ao Astralo 95 por R$ 900 milhões e, na mesma data, revendeu os ativos ao fundo Máxima 2, controlado pelo Banco Master, por R$ 1,1 bilhão.

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