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Economia

Endividamento das famílias bate recorde acima de 80% em abril

Alta ocorre às vésperas do lançamento do Desenrola 2.0, enquanto inadimplência segue elevada e juros permanecem em 14,5% ao ano

Lula, durante lançamento do novo 'Desenrola' - 04/05/2026 | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Lula, durante lançamento do novo 'Desenrola' - 04/05/2026 | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A proporção de famílias brasileiras endividadas alcançou 80,9% em abril de 2026, o maior patamar da série histórica registrada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Os dados foram divulgados na última quinta-feira, 7, pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor.

O índice avançou 0,5 ponto porcentual em relação a março, quando estava em 80,4%, e registrou o quarto mês consecutivo de recorde histórico. O cartão de crédito segue como a principal modalidade de dívida entre os brasileiros, concentrando também algumas das taxas de juros mais elevadas da economia. Em seguida aparecem os carnês de loja e o crédito pessoal.

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O aumento do endividamento ocorre na véspera do lançamento do Desenrola 2.0, programa de renegociação de dívidas que será assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A primeira edição da iniciativa, lançada em 2024, reuniu cerca de 15 milhões de participantes.

Endividamento das famílias bate recorde acima de 80% em abril
Foto: Montagem Revista Oeste com auxílio do ChatGPT e dados da CNC

Em ano eleitoral, Lula tem intensificado o discurso em defesa da redução do endividamento das famílias. Em evento recente, o presidente chegou a cobrar publicamente o ministro da Fazenda, Dario Durigan, para que “tente resolver” o problema das dívidas no país.

A movimentação ocorre em meio ao desgaste da popularidade do governo. Segundo levantamento do portal Poder360, a desaprovação do petista atingiu 61%, o maior nível desde 2024.

Os dados da CNC mostram também deterioração nos indicadores de inadimplência. O porcentual de famílias com contas em atraso chegou a 29,7% em abril, acima dos 29,1% registrados no mesmo mês do ano passado. Já o índice de famílias que afirmam não ter condições de quitar as dívidas vencidas permaneceu em 12,3% pelo segundo mês consecutivo.

Entre os consumidores inadimplentes, quase metade — 49,5% — acumula débitos atrasados há mais de 90 dias. O tempo médio de atraso ficou em 65,1 dias, estabilidade observada pelo terceiro mês seguido.

Segundo a CNC, a manutenção desse indicador decorre da melhora da renda média das famílias, embora o cenário geral ainda seja de forte comprometimento financeiro.

Endividamento cresceu entre todas as faixas de renda

O avanço do endividamento foi registrado em todas as faixas de renda. Entre as famílias que recebem até três salários mínimos, 83,6% possuem dívidas, e 38,2% têm contas em atraso. Na faixa entre três e cinco salários mínimos, o endividamento chegou a 82,8%, com inadimplência de 28%.

Entre os lares com renda de cinco a dez salários mínimos, 80,1% estão endividados, enquanto 22,7% enfrentam atrasos nos pagamentos. Já entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, o índice de endividamento atingiu 70,8%, com inadimplência de 15%.

O mais novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em evento da pasta, em Brasília. Ele foi o número 2 do órgão durante a gestão Fernando Haddad | Foto: Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda
O atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, em evento da pasta, em Brasília. Ele foi o número 2 do órgão durante a gestão Fernando Haddad | Foto: Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda

A CNC avalia que o quadro deve continuar pressionado nos próximos meses. As projeções da entidade indicam nova elevação do endividamento em maio, dependendo do comportamento da renda e da inflação de itens essenciais, como energia elétrica e combustíveis.

O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, afirmou que o atual nível da taxa Selic continua sendo um dos principais fatores para a manutenção do endividamento em níveis elevados.

“O aumento das incertezas no cenário econômico global levou a uma recente revisão quanto ao ritmo de flexibilização da política monetária no Brasil”, disse Bentes. “A percepção dominante atualmente é que, até o fim do ano, os juros caiam menos que o esperado anteriormente. Se confirmado esse cenário, os níveis de endividamento tendem a se manter em patamares elevados por mais tempo.”

Leia também: “Fórmula do endividamento permanente“, artigo de Adalberto Piotto publicado na Edição 321 da revista Oeste

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1 comentário
  1. Denis R.
    Denis R.

    Com um endividamento deste tamanho como é que vamos comprar PICANHA mr. president?

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