Inflação fecha o ano em 10,06%, mostra IBGE

O resultado foi influenciado principalmente pelo grupo de transportes, habitação e alimentação e bebidas
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O índice ficou acima da meta definida pelo Banco Central
O índice ficou acima da meta definida pelo Banco Central | Foto: Reprodução/Flickr

A inflação de 2021 fechou o ano com aumento de 10,06%. Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta terça-feira, 11, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Essa é a maior taxa acumulada no ano desde 2015 (quando registrou 10,67%).

Com o resultado, o índice ficou acima da meta definida pelo Banco Central, de 3,75% para o ano passado, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo, podendo chegar até a máxima de 5,25%.

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O resultado de 2021 foi influenciado principalmente pelo grupo de transportes, habitação e alimentação e bebidas. Juntos, os três grupos responderam por cerca de 79% do IPCA de 2021.

  • Transportes teve a maior variação (21%)

O grupo dos transportes foi afetado principalmente pelos combustíveis.

“Com os sucessivos reajustes nas bombas, a gasolina acumulou alta de 47% em 2021. Já o etanol subiu 62% e foi influenciado também pela produção de açúcar”, explicou o gerente do IPCA, Pedro Kislanov.

Outro destaque nos transportes foi o preço dos automóveis novos (16%) e usados (15%).

“Esse aumento se explica pelo desarranjo na cadeia produtiva do setor automotivo. Houve uma retomada na demanda global que a oferta não conseguiu suprir, ocorrendo, por exemplo, atrasos nas entregas de peças e, as vezes, do próprio automóvel”, contextualizou Kislanov.

  • Habitação impactou o índice em 13%

A principal contribuição veio da energia elétrica (21%), seguida pelo gás de botijão (37%).

“Ao longo do ano, além dos reajustes tarifários, as bandeiras foram aumentando. Isso impactou muito o resultado de energia elétrica, que tem bastante peso no índice”, informou o IBGE.

  • Alimentação e bebidas (7,94%)

No grupo alimentação e bebidas, a variação de quase 8% foi menor que a do ano anterior (14%).

Ainda assim, o IBGE destacou o aumento de alguns itens, como o café moído (50%) e o açúcar refinado (47%).

“A alta do café ocorreu principalmente no segundo semestre, pois a produção foi prejudicada pelas geadas no inverno. Já o preço do açúcar foi influenciado por uma oferta menor e pela competição por matéria-prima para a produção do etanol”, explicou Kislanov.

IPCA em dezembro fica em 0,73%

No último mês de 2021, a inflação oficial foi de 0,73%, 0,22 ponto porcentual abaixo da taxa de 0,95% registrada em novembro.

Todos os grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta, e a maior variação veio de vestuário.

Economista avalia a taxa

Oeste conversou com o economista Alessandro Azzoni, que avaliou o índice. Segundo ele, houve uma crescente da inflação em todo o mundo devido, principalmente, aos fatores de produção.

“Todas as economias que ficaram fechadas no ano passado reabriram simultaneamente. E, com isso, os insumos foram consumidos ao mesmo tempo por todos os países, demandando mais insumos, energia e combustíveis”, avaliou.

No Brasil, além desses fatores, houve uma polarização maior. “Já tínhamos a inflação mundial, que foi acrescentada pela escassez hídrica aqui no país, que potencializou a taxa de inflação, assim como a desvalorização cambial, com a retomada da economia norte-americana”, disse.

“Também tivemos um atraso e uma queda na produção de grãos, principalmente soja e milho, que praticamente balizam a produção de ração. Isso afetou a questão de proteína animal e fez o mercado subir os preços”, concluiu.

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