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Economia

Investimentos árabes avançam no Brasil e chegam a US$ 14 bi

Países como a Arábia Saudita usam excedentes de riqueza para materializar planos de abertura e diversificação econômica

Em 2022, governo saudita presenteou cada jogador da seleção com um carro avaliado em R$ 15 milhões como prêmio pela vitória sobre a Argentina, na Copa do Mundo: retrato simbólico do excedente de riqueza | Foto: Reprodução/Twitter/X
Em 2022, governo saudita presenteou cada jogador da seleção com um carro avaliado em R$ 15 milhões como prêmio pela vitória sobre a Argentina, na Copa do Mundo: retrato simbólico do excedente de riqueza | Foto: Reprodução/Twitter/X

Os investimentos de países do Golfo Árabe no Brasil vêm ganhando cada vez mais volume. Conforme levantamento do Sovereign Wealth Fund Institute (SWFI), que mapeia os investimentos globais de fundos soberanos, o estoque de aplicação dos fundos do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) no país supera os US$ 14 bilhões (R$ 83 bilhões). 

Conforme reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, o GCC reúne Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã. Esses países têm investido bilhões de dólares ao redor do mundo. A maior parte do dinheiro migra para outras nações por meio principalmente de seus fundos soberanos. 

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Investimentos para crescer e influenciar

Esses tipos de fundos, geralmente sob controle de governos, têm como fonte de abastecimento as receitas excedentes do país, como lucros de exportações de petróleo, gás, minérios ou superávits comerciais. Essas instituições são o ponto de partida para ambiciosos planos de desenvolvimento, como o Visão 2023, da Arábia Saudita, que objetiva abrir e diversificar a sua economia, gerando ganhos políticos também em termos de influência.

A pesquisa do SWFI fornece informações desde os anos 2000, mas os negócios no Brasil se intensificaram nos últimos 15 anos, desde que a Qatar Holding comprou uma participação no Santander Brasil, em 2010, por US$ 2,7 bilhões. Dois anos depois, a empresa Mubadala, de Abu Dhabi, injetou US$ 2 bilhões nos negócios do empresário brasileiro Eike Batista. Há ainda a presença desses fundos em várias empresas do setor imobiliário brasileiro, como a Cyrela.

Nesse contexto, a Arábia Saudita vem mostrando um apetite maior do que a concorrência. As negociações e os anúncios de investimentos, que eram esporádicos, passaram a ser bem mais frequentes em anos recentes, com um pico de mais de US$ 3 bilhões em 2023. Nesta época, foi anunciada a compra de 10% da divisão de metais básicos da Vale pela Manara Minerals, por US$ 2,5 bilhões. 

A Manara é uma joint venture entre a mineradora saudita Ma’aden e o Public Investment Fund (PIF), o fundo soberano da Arábia Saudita. No mesmo ano, a Salic, braço do PIF para o setor de alimentos, comprou uma fatia da BRF, por US$ 340 milhões, hoje em 11,03%. A Salic tem também participação de 30,55% no frigorífico Minerva, sendo a maior acionista individual da empresa. 

Na lista, Starbucks, Burger King e bolsa de valores

Ainda em 2023, a Mubadala investiu e ampliou participação em empresas como a Atvos, de biocombustíveis, Zamp, que controla no Brasil as redes Starbucks, Burger King, Subway e Popeye’s, e a ATG, que está por trás do projeto de uma nova Bolsa de Valores no Rio de Janeiro.

A Mubadala é o veículo de investimento da região mais ativo no Brasil. Depois do fracasso do grupo EBX, de Eike Batista, a instituição ficou com parte dos negócios do conglomerado. Assim, estabeleceu-se no Brasil e passou a investir em diversos setores. Entre eles, educação, alimentação, esportes, academias, biocombustíveis, refino de petróleo, transporte público, geração de energia, futebol e outros. 

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