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Economia

Justiça nega pedido da J&F para que Paper deposite em juízo ações adquiridas da Eldorado

Grupo dos irmãos Batista busca suspender negociação concluída em 2017, em uma batalha judicial que se estende há quase sete anos

Eldorado Celulose
J&F tenta desfazer a transferência da Eldorado Celulose | Foto: Reprodução/site Eldorado

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) rejeitou, na semana passada, pedido do grupo J&F para que a Paper Excellence, pertencente ao bilionário indonésio Jackson Widjaja, depositasse em juízo 753,7 milhões de ações, no valor de R$ 3,77 bilhões, equivalentes às 49,41% já transferidas à Paper e pagas pela empresa.

Leia mais: “Paper afirma que vai entrar na Justiça contra a Eldorado, em meio a disputa com irmãos Batista”

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A empresa, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, já obteve neste tribunal a suspensão da negociação. Mas o impasse prossegue em relação ao contrato assinado em 2017 para a transferência de todas as ações da Eldorado para a Paper, por etapas, por R$ 15 bilhões. O conflito jurídico já dura quase sete anos.

A Paper afirmou que os 49,41% detidos pela empresa foram adquiridos dos fundos de investimento, o que impossibilitaria tal devolução.

O novo pedido da J&F foi incluído em uma ação popular que tramita no TRF4 ajuizada pelo ex-prefeito de Chapecó (SC) Luciano José Bulligon.

Leia mais: “Disputa pela Eldorado Brasil Celulose: desembargador dá 2º voto contra a J&F”

A ação foi baseada na acusação de que representantes da Paper estariam negociando terras no Estado de Santa Catarina depois de ter comprado a Eldorado Brasil. A empresa brasileira seria proprietária de 249 mil hectares de florestas de eucalipto plantadas em áreas rurais do país.

A Paper contesta a afirmação e diz que as terras rurais que fornecem madeira para a fábrica da Eldorado são todas de propriedade de brasileiros. Além disso, garante que não é viável economicamente para o negócio comprar terras em Santa Catarina para o fornecimento de matéria-prima para uma fábrica localizada em Três Lagoas (MS), a cerca de mil quilômetros de distância.

A empresa do indonésio diz que não é necessária a aquisição de propriedades rurais nem arrendamentos de terras para o negócio. E que uma eventual autorização do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Congresso Nacional, em relação à suposta intenção de compra de terras, só poderia ser obtida depois de concluído o negócio. Segundo a empresa, foi comprada uma fábrica de celulose em que a madeira é insumo, e não a atividade principal.

Leia também: “Os irmãos Batista atacam de novo”, reportagem de Eugenio Goussinsky publicada na edição 187 da Revista Oeste

“Em nenhuma de suas operações nos países onde atua o grupo da Paper detém terras”, informou nota da empresa.

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Paper Excellence celulose
Paper Excellence afirma que não tem interesse em adquirir terras | Foto: Reprodução/site Paper Excellence

No fim de 2017, a Paper acionou o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) por considerar que a J&F dava sinais de que o negócio não teria prosseguimento. O TJSP ordenou que a Câmara de Comércio Internacional (ICC, sigla em inglês), deveria definir a disputa.

A J&F, conforme informou a Exame, reclamava que a Paper Excellence teria de substituir as garantias dadas pela holding dos irmãos Batista (entre eles avais e ações do frigorífico JBS) por outras garantias de sua responsabilidade. A Paper Excellence discordou, com o argumento de que o contrato utilizava o termo “liberar as garantias”, e não “trocar as garantias”.

A intenção da Paper, segundo declarou no processo, era quitar as dívidas em dinheiro, sem a necessidade de renovar os financiamentos nem de apresentar novas fianças. Para a J&F a Paper não tinha dinheiro disponível para efetivar a transação. A Paper Excellence rebatia com a afirmação de que era a J&F quem criava empecilhos para receber a quantia.

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O ICC deu ganho de causa à Paper. Em junho de 2019, determinou que a Paper teria de depositar em garantia os R$ 11,2 bilhões para pagar pela participação da J&F na Eldorado. Em contrapartida, ordenou que a J&F entregasse em garantia as ações correspondentes à sua fatia de 50,6%.

Contrariada, a J&F voltou ao TJSP com o argumento de que a decisão do ICC teria sido motivada pelos interesses de um de seus julgadores. E solicitou que o tribunal anulasse a decisão do órgão internacional.

Leia mais: “J&F propõe anular venda da Eldorado, e tentativa de acordo com a Paper Excellence fracassa”

A J&F foi derrotada em sua demanda na primeira instância. O julgamento na segunda instância teve início em 20 de setembro de 2023. Na ocasião, o desembargador Franco de Godoi, da 1ª Câmara Reservada de Direito Empresarial do TJSP, votou contra a anulação e para que a J&F pague R$ 30 milhões por litigância de má-fé.

No dia 27 de setembro, a sessão foi retomada, com o voto do desembargador Alexandre Lazzarini. Ele acompanhou integralmente o relator. O julgamento foi suspenso por um pedido de vistas e deve ser retomado nesta quarta-feira, 24.

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1 comentário
  1. Otavio Lazario de Queiroz
    Otavio Lazario de Queiroz

    Podem fazer o que querem . O desfecho disso é STF e lá os Manos Batista ganham tudo.

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