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Economia

Nestlé se diz assustada com a inflação

CEO no Brasil afirma que disparada de preços do cacau e do café pressionam produção e afetam margens

Marcelo Melchior, CEO da Nestlé Brasil: descontrole da economia reduz margens da indústria | Foto: Reprodução/YouTube
Marcelo Melchior, CEO da Nestlé Brasil: descontrole da economia reduz margens da indústria | Foto: Reprodução/YouTube

A Nestlé Brasil vive um dos maiores desafios de sua história recente. O preço do cacau e do café disparou e pressionou os custos de produção. “Nunca tínhamos visto uma inflação assim”, diz Marcelo Melchior, CEO da companhia. O executivo fez a análise durante o podcast De frente com o CEO, da Revista Exame.

A multinacional registrou aumento de dois dígitos na receita no último ano. Mas a queda em volumes preocupa. As fábricas da companhia operam em alta escala. Quando o giro cai, o custo unitário sobe e a competitividade se perde. O café moído registrou inflação de 80,2% nos 12 meses até abril de 2025, segundo o IBGE. O preço do cacau no Brasil subiu 78% em pouco mais de um ano, conforme o Portal do Agronegócio.

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Nestlé e o desafio de aumentar a produção

Cerca de 70% do cacau que o Brasil consome tem origem em lavouras locais. O restante, o país importa, sobretudo da Costa do Marfim e de Gana. A meta é elevar a produtividade nacional. “Estamos tecnificando as lavouras de cacau para alcançar o nível de sofisticação que temos no café e no leite”, afirma Melchior.

Produtos de baixo tíquete médio, como achocolatados, biscoitos e leite condensado, sustentam a recompra diária. Por isso, um erro pode custar retorno no mercado já no dia seguinte. “Não podemos errar com o consumidor. Temos uma responsabilidade gigante”, diz o executivo.

O tamanho da operação brasileira

A Nestlé Brasil é a terceira maior operação global da companhia. Está atrás apenas de Estados Unidos e China. Exporta menos de 10% do faturamento, o que reduz o impacto de medidas externas, como tarifas de importação. No mundo, a empresa registrou receita equivalente a quase R$ 600 bilhões em 2024.

Antes de inovar, a companhia de origem suíça, investe no foco principal de negócios. Reduz açúcar e sódio, adiciona vitaminas e adota embalagens sustentáveis sem alterar sabor. Todos os lançamentos passam pelo teste “60-40”, em que 60% dos consumidores devem preferir o produto às cegas em relação à concorrência.

Aquisições como Garoto, Pura Vida e Grupo CRM aceleram a estratégia, mas não a definem. “Aquisição não é estratégia, é acelerador”, explica Melchior. A Nestlé global cresceu 0,8% em volume em 2024, segundo balanço de fevereiro de 2025. O avanço veio de aumentos de preços, mas as margens ficaram mais estreitas. No Brasil, Melchior projeta novo crescimento de dois dígitos neste ano, apesar da inflação.

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