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Economia

Petrobras suspende leilões de combustíveis

Estatal interrompe venda de lotes de óleo diesel e gasolina para abril com alegação de retenção de navio carregado com derivados em meio à disparada do petróleo no exterior

petróleo petrobras
Edifício Petrobras na Avenida Paulista, em São Paulo, SP (26/8/2015) | Foto: Shutterstock

O fantasma da escassez de combustíveis voltou a assombrar o mercado brasileiro nesta quarta-feira, 18. A Petrobras interrompeu abruptamente a comercialização de grandes lotes de óleo diesel e gasolina previstos para entrega no mês de abril. De acordo com informações apuradas pelo jornal O Estado de S. Paulo, a petrolífera justificou a paralisia das operações ao citar o travamento de uma embarcação que transportava os produtos refinados essenciais para o suprimento nacional.

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A decisão surpreendeu negativamente os setores de revenda e logística, que já enfrentam um cenário de extrema volatilidade. Especialistas que monitoram a movimentação portuária revelam que o volume de importações para o próximo período está 70% abaixo da média histórica. Essa retração nos pedidos externos, somada à suspensão dos pregões da estatal, coloca em xeque a capacidade do país de manter as bombas em funcionamento regular nas próximas semanas.

O cenário internacional agrava a fatura energética brasileira. A cotação do barril de petróleo do tipo Brent saltou para a casa dos US$ 108 logo que o conflito bélico entre Estados Unidos e Irã escalou. Essa disparada global criou um abismo financeiro nas refinarias domésticas, onde a defasagem nos preços chega a 54% no caso do diesel. Importadores e distribuidores sustentam que apenas um reajuste severo nas tabelas da Petrobras poderia atrair novos carregamentos e evitar o dessecamento dos estoques.

Tensões nas estradas e no varejo

De acordo com o jornal, o clima de instabilidade política também ferve nos bastidores. O valor do diesel comercializado nos leilões agora suspensos atingiu patamares 75% superiores aos praticados nas unidades de refino da companhia. Tamanha discrepância alimenta a fúria dos caminhoneiros, que já articulam protestos contra o último aumento de 11,6% autorizado pela empresa. A categoria sinaliza a possibilidade de interromper o transporte rodoviário se o custo ao erário e ao trabalhador continuar subindo sem controle.

Enquanto a Petrobras afirma que avalia os novos contextos para informar atualizações em momento oportuno, o mercado de varejo sofre distorções graves. Postos que operam sem bandeira fixa e empresas retalhistas denunciam que as grandes distribuidoras estão retendo combustível para privilegiar as próprias marcas. Esse represamento estratégico visa abocanhar uma fatia maior do mercado consumidor em um período de oferta restrita, o que acelera a inflação e prejudica diretamente o motorista comum.

Leia também: “Caminhoneiros articulam paralisação nacional diante de alta do diesel”

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