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Economia

Roberto Justus teve Master como sócio desconhecido em sua empresa de construção

O empresário afirma que desconhecia a identidade dos cotistas e rompeu contratos diante das investigações

roberto justus dono hamburgueria
O empresário e apresentador de televisão Roberto Justus é dono da empresa de construção Steelcorp | Foto: Reprodução

O empresário Roberto Justus afirmou ter sido surpreendido ao descobrir que o Banco Master figurava, desde 2023, como um de seus principais sócios e que, mais recentemente, o Banco de Brasília (BRB) também passou a integrar a sociedade. Ele descobriu as informações depois da Operação Carbono Oculto.

Justus é dono e CEO da Steelcorp, empresa de casas modulares em aço, cuja estrutura societária incluía um fundo de investimentos com cotista único mantido sob sigilo. Segundo ele, a identidade do investidor só veio à tona depois de dois anos de parceria. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

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Até então, Justus dizia publicamente que a gestora Reag era sócia minoritária da companhia e que João Carlos Falbo Mansur, ex-CEO da Reag, representava a gestora no conselho de administração. Documentos da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp), no entanto, mostram que a Reag nunca foi sócia da Steelcorp.

Além de Justus, acionista majoritário, a empresa tem como sócios a Potenza Administração e Empreendimentos, do empresário Marcelo Pieruzzi, e o SH Fundo de Investimentos em Participações Multiestratégia, cujo cotista único é o Banco Master e que era administrado pela Reag.

Justus afirmou à Folha que a Reag atuava apenas como administradora e gestora do fundo. Segundo ele, a legislação da CVM garante o anonimato dos cotistas, razão pela qual apenas a Reag conhecia a identidade do investidor. Incomodado com a falta de transparência, o empresário pediu que Mansur passasse a representá-lo no conselho de administração da construtora.

Steelcorp, empresa de Roberto Justus, foi fundada em 2023

Fundada em julho de 2023 com o nome Dry Service Construction, a empresa firmou em outubro daquele ano um bônus de subscrição de R$ 75 milhões com o SH FIP, que previa a aquisição de 30% do capital. Os recursos seriam usados para compra de máquinas, capital de giro e construção de uma fábrica própria.

João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos
João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos | Foto: Divulgação/Reag

Em julho de 2024, já rebatizada como Steelcorp, a empresa reconheceu oficialmente a integralização dos aportes: R$ 75 milhões do fundo e R$ 2 milhões de Justus e Pieruzzi.

Em setembro de 2024, a Steelcorp comunicou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a entrada do Master no negócio, por meio do fundo Dynamic, ligado a Daniel Vorcaro, sem valor divulgado. Justus relata que chegou a procurar Vorcaro para alavancar a expansão da empresa, mas as negociações se arrastaram e acabaram desfeitas.

O aval do Cade levou quase três meses, prazo que o empresário classificou como incomum e que, segundo ele, acabou sendo positivo, já que Vorcaro passou a se envolver em outras negociações.

Daniel Bueno Vorcaro, proprietário do Banco Master | Foto: Montagem Revista Oeste/Reprodução

A situação mudou diante da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto, que revelou a infiltração do Primeiro Comando da Capital no mercado financeiro e apontou a Reag como peça-chave na administração de fundos ligados ao crime organizado. Logo depois da operação, Mansur foi afastado do conselho da Steelcorp, e a empresa notificou a Reag para identificar o cotista do fundo SH.

Nesse contexto, o fundo entrou em liquidação e transferiu integralmente seu patrimônio para o SH II FIP. Foi na documentação dessa operação que o nome do Banco Master apareceu como cotista — o único registro na CVM que faz referência direta ao banco.

A transferência de mais de R$ 526 milhões em patrimônio, contudo, ainda não foi concluída, e os R$ 75 milhões investidos na Steelcorp permanecem no fundo original. Justus afirma que não autorizou a liquidação nem a transferência e diz ter denunciado o acordo de acionistas.

Paulo Henrique Costa foi afastado da chefia do BRB | Foto: Divulgação/BRB
Paulo Henrique Costa foi afastado da chefia do BRB | Foto: Divulgação/BRB

Com a diluição ao longo do tempo, a fatia do fundo SH na Steelcorp caiu para 10%, hoje sob controle do BRB, banco que tentou comprar o Master no ano passado, operação barrada pelo Banco Central.

O empresário diz não saber como a participação do Master foi parar nas mãos do BRB e afirma a pretensão de conversar com os novos sócios. Caso não haja interesse em permanecer no negócio, Justus afirma estar disposto a recomprar a participação para evitar prejuízos e afastar o que chama de “sócios tóxicos”.

Neste mês, Justus aportou R$ 300 milhões na Steelcorp para retomar 90% do capital da empresa e quitar passivos que seriam cobertos com recursos de Vorcaro. Ele afirma que, em eventuais movimentos futuros, buscará apenas sócios estratégicos fora do mercado financeiro.

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