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Economia

Vorcaro admite que 'nem em seus piores pesadelos' imaginava ser preso

Dono do Banco Master chegou a ficar detido durante 12 dias em São Paulo; fora da prisão, ele cumpre medidas cautelares

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A decisão atinge 19 imóveis, 13 empresas e três fundos de investimento | Foto: Reprodução/Esfera Brasil

O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou que não imaginava que pudesse ser preso “nem em seus piores pesadelos”. Divulgada nesta sexta-feira, 23, pelo site da CNN Brasil, a declaração consta em depoimento concedido pelo banqueiro à Polícia Federal em dezembro.

A afirmação do empresário consta como resposta à pergunta se ele teve “algum pressentimento” de que havia o risco de ser detido.

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Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo, na noite de 17 de novembro de 2025. Na ocasião, ele tentava embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Na manhã seguinte, o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Master. A autoridade monetária acredita que a instituição financeira foi responsável por gerar fraude de mais de R$ 40 milhões.

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À PF, o banqueiro reforçou a versão de que a ida a Dubai não seria um plano de fuga. Mais uma vez, afirmou que a viagem se daria por razões corporativas, sobretudo para negociar a eventual venda do Master a investidores estrangeiros.

“A questão de fuga é, desculpe, uma questão completamente fora de contexto”, disse Vorcaro, durante o depoimento. “Uma fuga de alguém que avisa a Polícia Federal, acho que na quinta-feira. Eu já tinha viajado uma semana antes para tratar com os mesmos investidores, amplamente divulgado. Já existia um planejamento do que aconteceu ali em Dubai que já era anterior, que era justamente o que estava se anunciando ali, em definitivo no dia 17, porque na semana anterior eu já tinha anunciado ao Banco Central que a gente faria na semana seguinte.”

A temporada de Vorcaro atrás das grades foi de apenas 12 dias. Ele deixou o Centro de Detenção Provisória de Guarulhos na manhã de 29 de novembro. O banqueiro foi beneficiado por decisão da desembargadora Solange Salgado da Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Fora da prisão, ele cumpre medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica.

Relação de Vorcaro com autoridades

Desde a prisão, as relações de Daniel Vorcaro e do Banco Master com políticos e magistrados começaram a ser reveladas. Um exemplo disso foi o contrato de R$ 129 milhões da instituição com o escritório da advogada Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Por meio de familiares, o banqueiro também passou a ter o seu nome envolvido ao de Dias Toffoli, outro ministro do STF. Fundos ligados a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, chegaram a investir mais de R$ 20 milhões no Resort Tayayá, estabelecimento em Ribeirão Claro (PR) que tinha parentes de Toffoli como controladores.

Nesta sexta-feira, divulgou-se que, no mesmo depoimento à PF, Vorcaro afirmou que tratou da venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB) diretamente com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). O político, entretanto, nega a informação.

Antes de o Mater ser liquidado pelo BC, Vorcaro negociava a venda para o BRB, banco público mantido pelo governo do Distrito Federal, pelo valor de R$ 2 bilhões. A autoridade monetária, no entanto, vetou a negociação.

Ibaneis era promotor da aquisição do Master pelo BRB. Diante da reprovação do negócio pelo BC, ele teceu críticas e chamou a decisão de política. “Parece mais uma ação política do PT e do PSB contra o banco e contra Brasília”, disse o governador.

Leia também: “Tentáculos do Master”, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 305 da Revista Oeste

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