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Política

Vorcaro diz à PF que tratou com Ibaneis sobre venda do Master ao BRB

O governador do DF nega tratativas e não é investigado no inquérito do STF

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é preso pela Polícia Federal | Foto: Reprodução/Redes sociais
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master | Foto: Reprodução/Redes sociais

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou à Polícia Federal (PF) que manteve “algumas conversas” com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a venda da instituição ao Banco Regional de Brasília (BRB). O banqueiro também relatou que o governador já esteve pessoalmente em sua residência.

Ibaneis é o primeiro político mencionado por Vorcaro nas investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). O dono do Banco Master não detalhou o conteúdo das conversas que teria mantido com o governador sobre a operação.

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Ao jornal O Estado de S. Paulo, o governador negou ter tratado do tema com Vorcaro e disse que esteve apenas uma vez na casa do empresário, a convite para um almoço. “Estive uma vez a convite para um almoço, quando conheci ele [sic]”, disse Ibaneis. “Entrei mudo e saí calado.”

Governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha afirmou não ter recebido os motivos oficiais para o veto da compra do Master pelo BRB | Marcelo Camargo/Agência Brasil
Governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha afirmou não ter recebido os motivos oficiais para o veto da compra do Master pelo BRB | Marcelo Camargo/Agência Brasil

As declarações constam em depoimento prestado por Vorcaro ao STF em 30 de dezembro no inquérito que apura suspeitas de crimes financeiros relativos à tentativa de venda do Master ao BRB, banco estatal do governo do Distrito Federal. Essas foram as primeiras menções, no inquérito, à eventual participação do governador no caso. Ibaneis não é investigado.

Durante o depoimento, a delegada da PF Janaína Palazzo interpelou especificamente se Vorcaro havia tratado com Ibaneis Rocha da proposta de aquisição do Master pelo BRB — apresentada em março do ano passado e vetada pelo Banco Central (BC) em setembro. O banqueiro respondeu que sim e afirmou que o assunto foi abordado em encontros institucionais com o governador, com a presença de outras pessoas.

A delegada também perguntou se Ibaneis já havia ido pessoalmente à residência do empresário. Vorcaro confirmou e disse ainda que ele próprio já esteve na casa do governador. O banqueiro não entrou em detalhes sobre os diálogos mantidos nesses encontros, e a delegada não aprofundou o tema.

Sede do BRB, em Brasília: banco diz que operação teria 'potencial de gerar valor para seus clientes' | Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília
Sede do Banco Regional de Brasília | Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

A PF também fez uma pergunta genérica sobre as conexões políticas de Vorcaro em Brasília. Ele afirmou que esses contatos não tinham relação direta com o objeto do inquérito e preferiu não comentar.

No mesmo dia, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, declarou em depoimento que Ibaneis foi informado sobre o andamento das operações financeiras do banco estatal com o Master. A informação foi revelada pelo portal UOL.

Inicialmente, Ibaneis estimou que a venda do Master ao BRB poderia elevar a distribuição de dividendos aos cofres do Distrito Federal para R$ 1 bilhão por ano. Em um primeiro momento, tentou realizar a operação sem autorização da Câmara Legislativa, mas foi obrigado pela Justiça a obter o aval dos deputados distritais.

pf - São Paulo (SP), 19/11/2025 - Fachada do Banco Master na rua Elvira Ferraz em Itaim Bibi. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
São Paulo (SP), 19/11/2025 – Fachada do Banco Master na rua Elvira Ferraz em Itaim Bibi | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Depois da liquidação do Master, Ibaneis passou a estudar aportes no BRB para cobrir prejuízos decorrentes da compra de créditos considerados “podres” do banco de Vorcaro. O rombo no banco estatal é estimado em R$ 4 bilhões. A PF e o Ministério Público Federal apontaram indícios de que o Master vendeu R$ 12,2 bilhões em carteiras inexistentes à instituição.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cobrou em conversas recentes que a gestão local providencie um socorro financeiro ao BRB, que corre risco de sofrer intervenção do BC.

Governo do DF mudou o tom em relação ao BRB e Master

Ao longo do ano passado, as declarações de Ibaneis e da vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), mudaram de tom conforme avançaram os desdobramentos do caso. Em março, quando o BRB anunciou a oferta de compra de parte do Master por R$ 2 bilhões, o governador classificou o momento como um “dia de festa”.

Em abril, afirmou que a operação representava pouco risco ao BRB, alegando que o então presidente do banco, Paulo Henrique Costa, havia excluído da transação os ativos de maior risco. Dias depois, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, disse ser “importantíssimo” que o setor privado participasse do negócio, por meio de uma negociação privada dos ativos do Master que não interessassem ao banco estatal.

Vice-Governadora do Distrito Federal, Celina Leão
A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP) | Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

Diante do veto do BC, Ibaneis adotou um discurso mais cauteloso. “Se for inviável, nós vamos parar e vamos realmente trabalhar outras oportunidades para que o Banco de Brasília possa avançar e continue crescendo”, declarou o governador a jornalistas durante um evento nos Estados Unidos.

Em novembro, depois de o BC anunciar a liquidação do Master, a vice-governadora afirmou que o próprio Ibaneis determinou a troca do presidente do BRB quando a PF revelou suspeitas de fraudes de R$ 12,2 bilhões na venda de carteiras de crédito falsas do Master ao banco estatal.

“Nós não temos compromisso com erro”, disse Celina. “Então o próprio governador Ibaneis fez hoje a troca, já indicou um outro nome e aquilo que tiver que ser apurado, será apurado.”

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