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História

20 de setembro na História: estreia na França o Festival de Cannes

Primeira edição oficial do evento ocorreu em 1946, depois de a Segunda Guerra Mundial forçar o cancelamento em 1939

Festival de Cinema de Cannes, na França
Festival de Cinema de Cannes, na França | Foto: Reprodução/Instagram

Em 20 de setembro de 1946, o Festival de Cinema de Cannes abriu suas portas na cidade de Cannes, na Riviera Francesa. A estreia do evento ocorreu depois de uma tentativa frustrada em 1939, quando a eclosão da Segunda Guerra Mundial forçou os organizadores a cancelarem a primeira edição.

O festival inaugural contou com produções de 18 países e premiou o cineasta francês René Clément pelo filme La Bataille du Rail (A Batalha dos Trilhos), nas categorias de melhor diretor e prêmio do júri.

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A iniciativa de criar um evento alternativo surgiu em resposta ao Festival de Veneza, que, em 1938, havia se tornado um veículo de propaganda nazista e fascista. A Itália, de Benito Mussolini, e a Alemanha, de Adolf Hitler, influenciavam diretamente a escolha dos filmes e a distribuição dos prêmios.

Indignados com essa situação, artistas e produtores franceses decidiram organizar um novo festival de cinema. Em junho de 1939, foi anunciada, em Paris, a realização do Festival de Cinema em Cannes — uma cidade elegante e balneária na costa mediterrânea, a sudoeste de Nice.

O impacto da Segunda Guerra Mundial

À esq., Benito Mussolini. À dir., Adolf Hitler
À esquerda, Benito Mussolini; à direita, Adolf Hitler | Foto: Domínio Público

A programação do evento era para ocorrer de 1º a 20 de setembro daquele ano. A programação da edição de 1939 incluiu filmes como O Nigeriano, da França, O Mágico de Oz, dos Estados Unidos, O Diamante Negro, da Polônia, e Amanhã é a Guerra, da União Soviética.

Na manhã de 1º de setembro, dia da inauguração do festival, Hitler invadiu a Polônia, em ação que marcou o início da Segunda Guerra Mundial.

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Em resposta à invasão, o governo francês ordenou a mobilização geral, e o festival teve de ser suspenso. Apenas um filme havia sido exibido: O Corcunda de Notre Dame, do germano-americano William Dieterle.

Dois dias depois, a França e a Grã-Bretanha declararam guerra à Alemanha, fato que encerrou qualquer possibilidade de continuidade do evento.

Renascimento do festival em 1946

Apenas em 1946, o Festival de Cannes ressurgiu, desta vez com o objetivo de promover a criação artística entre as produções de diversas nações. O foco na pura e simples competição ficou de lado.

A programação da edição de 1946 incluiu filmes como Farrapo Humano, do diretor austro-americano Billy Wilder; Roma, Cidade Aberta, do diretor italiano Roberto Rossellini; A Batalha dos Trilhos, do diretor francês René Clément; e Desencanto, do diretor britânico David Lean.

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Além do Grande Prêmio, concedido a René Clément, outros nove prêmios especiais foram distribuídos. Em 1962, o filme brasileiro O Pagador de Promessas, dirigido por Anselmo Duarte e baseado na peça teatral de Dias Gomes, ganhou a Palma de Ouro.

Nos primeiros anos, o Festival de Cannes enfrentou dificuldades financeiras, mas, em 1952, com a inauguração do ‘Palais des Festivals’ como sede permanente, o evento ganhou estabilidade. Hoje, o evento atrai mais de 30 mil pessoas no mês de maio.

História da lusofonia em Cannes

  • 1953 – Melhor Filme de Aventura – O Cangaceiro, de Lima Barreto;
  • 1959 – Palma de Ouro – Orfeu Negro, dirigido por Marcel Camus, primeiro filme em língua portuguesa a receber o principal prêmio de Cannes;
  • 1959 – Competição oficial- Rapsódia Portuguese, de João Mendes, com argumento de Fernanda de Castro;
  • 1962 – Palma de Ouro – O Pagador de Promessas, dirigido pelo brasileiro Anselmo Duarte;
  • 1967 – Prêmio da Crítica Internacional – Terra em Transe, de Glauber Rocha;
  • 1969 – Melhor Direção – Glauber Rocha, por O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro;
  • 1977 – Prêmio Especial do Júri – curta-metragem – Di Cavalcanti, de Glauber Rocha;
  • 1982 – Melhor Curta-Metragem de Animação – Meow!,[2] de Marcos Magalhães;
  • 1986 – Prémio de Interpretação Feminina – Fernanda Torres, por Eu Sei que Vou Te Amar, de Arnaldo Jabor;
  • 1997 – Prêmio da Crítica Internacional – Viagem ao Princípio do Mundo, de Manoel de Oliveira;
  • 1999 – Prêmio Especial do Júri – A Carta, de Manoel de Oliveira;
  • 2002 – Primeiro Prêmio Cinéfondation (para filmes universitários de até 60 minutos) – Um Sol Alaranjado, de Eduardo Valente;
  • 2008 – Prêmio Un Regard Neuf na seção paralela Quinzena dos Realizadores – Muro, de Tião;
  • 2008 – Prémio de Interpretação Feminina – Sandra Corveloni, por Linha de Passe;
  • 2019 – Prêmio do Júri – Bacurau, dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles.

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