O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou na última terça-feira, 2, um vídeo no qual um ataque aéreo de precisão dos EUA explode uma lancha na costa do Caribe. A embarcação, segundo Washington, transportava narcóticos, e os 11 tripulantes mortos faziam parte da gangue venezuelana Tren de Aragua, classificada pelos EUA como organização terrorista estrangeira.
“Se isso for verdade, foi uma boa ação”, avalia um editorial do jornal norte-americano Wall Street Journal publicado nesta quarta-feira, 3, que elogia também o alerta de Trump: “Há mais de onde isso veio“. O ataque rompeu com o protocolo habitual da Guarda Costeira de interceptar suspeitos de narcotráfico em alto-mar, subir a bordo para busca e apreensão e efetuar prisões para julgamento posterior.
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Cartéis transnacionais desenvolveram uma variedade de modos de acabar com vidas. Além de se beneficiarem da “epidemia de abuso de drogas” nos EUA — “ajudaria se as autoridades ao menos tentassem desencorajar os jovens de ingerirem substâncias que alteram a mente”, afirma o WSJ — essas organizações têm sequestro, extorsão, tráfico humano e assassinato no catálogo de negócios macabros.
🇺🇸 ON VIDEO: U.S. Military Forces conducted a strike against Tren de Aragua Narcoterrorists. The strike occurred while the terrorists were at sea in International waters transporting illegal narcotics, heading to the U.S. The strike resulted in 11 terrorists killed in action. pic.twitter.com/iszHE0ttxQ
— The White House (@WhiteHouse) September 2, 2025
Entretanto, o malefício gerado pelos cartéis não termina no narcotráfico diretamente. Na América Latina, eles tanto “sobrecarregam instituições frágeis, mesmo em nações dispostas a reagir”, como também são instrumentos da ditadura de Nicolás Maduro, na Venezuela. O regime chavista utiliza os cartéis para reprimir a população e lhes concede impunidade por seus crimes organizados.
Assim, prossegue o WSJ, um benefício geopolítico de uma política dos EUA mais agressiva de policiamento do Caribe é a provável interrupção, ao menos no curto prazo, da renda em dólares do regime Maduro oriunda do tráfico — da qual depende para se manter no poder ainda mais do que do petróleo. “Também serve como lembrete a Maduro do que os EUA podem fazer se perderem a paciência com sua criminalidade.”
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, declarou nesta quarta-feira que Maduro é “um chefão de um Narcoestado, não eleito de fato”. O país enviou recentemente uma poderosa frota naval para a região. Questionado se mudar o regime de governo na Venezuela é o objetivo, Hegseth deixou a resposta a Trump, mas acrescentou que o país está “preparado com todos os recursos que as Forças Armadas norte-americanas possuem”.

Maduro é o chefe do Cartel de los Soles
O regime de Maduro controla o Cartel de los Soles, ou Cartel dos Sóis, nomeado em referência ao símbolo que generais venezuelanos recebem à medida que sobem na hierarquia. O grupo administra uma operação de cocaína que vai do cultivo da folha de coca até a entrega nas ruas norte-americanas.
Washington classifica a organização como terrorista e já ofereceu uma recompensa de US$ 50 milhões pela captura de Maduro, que foi indiciado por narcoterrorismo nos EUA. O ditador venezuelano também tem o Tren de Aragua como aliado, apesar de não ser seu criador.
TERRORISTS ELIMINATED. ADIÓS. 🚮 pic.twitter.com/92buoGEB4E
— The White House (@WhiteHouse) September 2, 2025
Essa outra facção surgiu em uma prisão no Estado venezuelano de Aragua, durante a gestão do governador Tareck El Aissami, ex-ministro da Segurança Hugo Chávez. Além das drogas, o Tren de Aragua se especializou em extorsão e tráfico humano e exportou o modelo criminoso por todo o hemisfério, na tentativa de desestabilizar democracias vizinhas.
Permitir que tais organizações cresçam é ser conivente com o “caos e tirania” que os cartéis promovem, conclui o WSJ. Assim, diante da ação dos EUA e do recado do chefe da Casa Branca, o jornal finaliza o texto com o recado: “Durma bem esta noite, sr. Maduro”.





































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