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Como a imprensa alinhada ajudou o Hamas na guerra da propaganda

Analista afirma que mídia ocidental é um campo de batalha para os terroristas — não menos importante para sua sobrevivência do que seus foguetes e túneis

Terroristas do Hamas patrulham ruas de Gaza, em meio a tensões com clãs rivais que disputam influência no território | Foto: Divulgação/IDF
Terroristas do Hamas patrulham ruas de Gaza, em meio a tensões com clãs rivais que disputam influência no território | Foto: Divulgação/IDF

Em artigo publicado na última edição da revista britânica The Spectator, o jornalista e ativista de direitos humanos Tom Gross responsabiliza instituições progressistas — como universidades, setores da imprensa e as Nações Unidas — por uma “espécie de vitória” do Hamas na guerra da propaganda contra Israel.

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O conflito começou com o ataque terrorista do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, quando 1,2 mil pessoas foram assassinadas, incluindo idosos, mulheres e crianças. Israel e Hamas assinaram um acordo de cessar-fogo há duas semanas. Enquanto isso, os terroristas exercem, com extrema brutalidade, o controle de Gaza. Execuções públicas e apedrejamentos voltaram a ser prática corrente do Hamas, que já assassinou ao menos cem palestinos nas últimas semanas. Essas pessoas pertencem supostamente a clãs rivais.

Para Gross, que é especialista em Oriente Médio, ativistas e veículos de comunicação, como a BBC e o The New York Times, reproduziram, ao longo dos dois últimos anos, informações sem checagem independente e favoreceram a narrativa do Hamas, que controla politicamente a Faixa de Gaza.

Essas notícias se propagam principalmente em relação ao número de mortes, à falta de insumos básicos e, mais recentemente, à fome. A propagação de notícias sobre escassez e fome iminente em Gaza repetiu-se diversas vezes, alimentada por declarações de agências da ONU e organizações de ajuda, muitas vezes sem confirmação autônoma.

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Segundo Gross, “contos de fome iminente em Gaza, por exemplo, foram transmitidos como fato, provenientes de burocratas da ONU e ‘agências de ajuda’ com longos registros de preconceito anti-Israel e, em alguns casos, simpatia aberta pelo Hamas”. “Isso não é jornalismo: é um ativismo orientado por agenda disfarçado de notícia. O que a BBC e outros não conseguiram entender é que, para o Hamas, a mídia ocidental é o campo de batalha — não menos importante para sua sobrevivência do que seus foguetes e túneis.”

Fluxo de informações não verificadas e distorções

O ciclo de divulgação funciona em etapas: dados do “Ministério da Saúde” do Hamas são assumidos por ONGs, citados por agências da ONU, divulgados por grandes jornais e, por fim, tidos como “verificados” por apoiadores no Ocidente. Segundo o artigo, essa dinâmica favoreceu distorções, como números inflados de vítimas e imagens enganosas sobre a crise humanitária em Gaza.

Um exemplo vem já no começo do conflito, em outubro de 2023, antes de as tropas israelenses terem entrado em Gaza. Gross lista manchetes repetidas ao longo de todo mês de outubro e começo de novembro.

Gross escreveu, no artigo: “Considere, por exemplo, essas manchetes das primeiras semanas do conflito em 2023:

11 de outubro: Combustível em Gaza vai acabar em 48 horas;

15 de outubro: Combustível em Gaza vai acabar em 48 horas;

30 de outubro: Combustível em Gaza vai acabar em 48 horas;

6 de novembro: Combustível em Gaza vai acabar em 48 horas”.

Mas o combustível não acabou. “Era uma armadilha de propaganda — e a mídia ocidental entrou diretamente nela”, conclui.

Ele cita outro exemplo, de maio deste ano, quando Tom Fletcher, coordenador humanitário da ONU, declarou à BBC Radio 4: “Há 14.000 bebês que morrerão nas próximas 48 horas, a menos que possamos alcançá-los”. Registros oficiais mostram que quase nenhum bebê faleceu nesse período, mas a informação circulou amplamente, inclusive em agências internacionais.

Imprensa divulgou informação da ONU sobre a morte iminente de 14 mil bebês em Gaza — que não se confirmou | Foto: Reprodução
Imprensa divulgou informação da ONU sobre a morte iminente de 14 mil bebês em Gaza — que não se confirmou | Foto: Reprodução

Imagens que mostravam suposta fome em Gaza, na verdade, eram do Iêmen ou retratavam crianças com outros problemas de saúde. O New York Times e outros jornais publicaram essas fotos e, depois, corrigiram discretamente os erros.

Com essas constatações, Gross descreveu o ciclo das fake news a favor do Hamas:

  • Primeiro passo: o “Ministério da Saúde” do Hamas compõe um número de vítimas que poderia ser desmascarado pela análise estatística mais superficial.
  • Segundo passo: organizações de ajuda repetem o número sem confirmação independente.
  • Terceiro passo: agências da ONU em Gaza (alguns membros do Hamas) citam as organizações de ajuda.
  • Quarto passo: os meios de comunicação citam as agências da ONU.
  • Quinto passo: os partidários do Hamas no Ocidente afirmam que os números são “VERIFICADOS pela ONU”.

Em julho, The Spectator revelou um e-mail enviado por um editor da BBC à equipe de jornalismo no qual dava instruções sobre como tratar a crise humanitária em Gaza. O documento mandava os jornalistas considerarem “irrelevante” o debate sobre o volume de ajuda humanitária que entra no território e a responsabilizar Israel pela escassez de alimentos.

Influência de campanhas digitais e resposta do público

No artigo desta última edição, Gross menciona campanhas digitais impulsionadas por bots ligados aos governos iraniano, russo e chinês. Isso ajudou a ampliar a desinformação, explorando tendências antissemitas e antigas estratégias de propaganda. O texto destaca que, historicamente, acusações falsas e manipulações midiáticas já foram usadas contra judeus, e agora voltam a circular sob nova roupagem.

Apesar disso, parte significativa do público britânico mantém postura crítica e desconfia de dados fornecidos por regimes autoritários. “Eles sabem que os números de vítimas de regimes terroristas não são uma verdade sagrada. Eles podem detectar propaganda quando o veem”, conclui Tom Gross.

Leia também: A verdade sobre Gaza que não nos contam, artigo de Brendan O’Neill, da Skiped, publicado na Edição 286 da Revista Oeste

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