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Emissora dos EUA demite 15% do efetivo depois de corte de verba por Trump

A suspensão dos recursos resultou no desligamento imediato de 34 funcionários e na paralisação de novas contratações

O presidente dos EUA, Donald Trump, durante a Cúpula "Vencendo a Corrida da IA" em Washington D.C., EUA (23/7/2025) | Foto: Reuters/Kent Nishimura

Um corte de US$ 500 milhões aprovado pelo Congresso dos Estados Unidos em julho e impulsionado pelo governo de Donald Trump provocou a dispensa de cem profissionais da emissora pública PBS, o que corresponde a 15% do efetivo do canal. A informação foi publicada pelo jornal The New York Times.

Entre as medidas anunciadas, estão 34 demissões imediatas e a interrupção de dezenas de vagas em aberto, além do congelamento de novas contratações, viagens e reajustes salariais. Paula Kerger, presidente da PBS, afirmou aos gestores regionais que tais ações representam o “último recurso” diante da redução dos repasses para a programação educativa.

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Antes mesmo dessas iniciativas, a PBS já havia diminuído seu orçamento em 21% e reduzido as taxas cobradas das afiliadas, tentando limitar o impacto negativo da decisão do Congresso. A expectativa é que a medida afete todo o sistema de mídia pública do país, incluindo a NPR, que anunciou um corte de 8% em seu orçamento. Katherine Maher, diretora-executiva da NPR, classificou essa redução como “primeiro passo” para enfrentar a crise financeira.

As emissoras locais sentem mais fortemente os efeitos do corte, já que dependem em grande parte do financiamento federal. Algumas enfrentam risco de fechar as portas e passaram a recorrer a editais e bolsas para buscar a manutenção mínima de suas operações.

Disputa judicial e alegações de motivação política

Logo da emissora norte-americana PBS | Foto: Divulgação/PBS
Logo da emissora norte-americana PBS | Foto: Divulgação/PBS

Depois do decreto assinado por Trump em 1º de maio deste ano, PBS e NPR entraram na Justiça contra o governo, alegando que as restrições orçamentárias violam a liberdade de expressão por serem motivadas pelo conteúdo transmitido, não por questões fiscais. A PBS declarou à época que a suspensão dos recursos “destruiria a televisão pública”.

Reconhecida por programas como Frontline, Vila Sésamo e Mister Rogers, a PBS afirmou à Justiça que o decreto é inconstitucional, pois transforma o presidente no “moderador do conteúdo editorial” da emissora.

“O decreto nem sequer tenta esconder o fato de que as verbas estão sendo cortadas em razão do conteúdo da programação da PBS e com o objetivo de alterar esse conteúdo”, afirmou a emissora, de acordo com The New York Times.

O que diz o governo Trump

Trump argumentou, ao justificar o congelamento, que PBS e NPR “ignoram o direito do contribuinte norte-americano de que seu dinheiro financie apenas cobertura jornalística equilibrada, imparcial e apartidária”. Após a decisão, a Casa Branca divulgou nota em que diz que as emissoras públicas “fazem propaganda radical e woke disfarçada de notícia”.

“A PBS cria conteúdo com o objetivo de apoiar um partido político específico às custas do dinheiro do contribuinte”, afirmou a Casa Branca. “Dessa forma, o presidente está exercendo sua autoridade legal de cortar verbas das emissoras”.

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