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Entidades denunciam racismo contra jornalista censurado por Moraes

Sinjorma e Fenaj afirmam que ofensas nas redes sociais contra Luis Pablo representam tentativa de intimidação e atingem a liberdade de imprensa

Luís Pablo
O jornalista Luis Pablo Conceição Almeida, alvo de busca e apreensão da Polícia Federal em investigação relacionada a reportagens sobre o ministro Flávio Dino | Foto: Reprodução/Oeste com Elas/YouTube

O Sindicato dos Jornalistas do Maranhão (Sinjorma) e a Federação Nacional dos Jornalistas divulgaram nota conjunta nesta quarta-feira, 1º, em repúdio a mensagens discriminatórias e racistas contra o jornalista Luis Pablo Conceição Almeida, que recentemente foi alvo de censura do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Segundo as entidades, um perfil nas redes sociais publicou ameaças e ofensas racistas direcionadas ao jornalista. Em um dos comentários, o autor escreveu: “Tu não é nem jornalista e tá tirando onda, macaco prego, cria vergonha na tua cara, safado (sic).”

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De acordo com o Sinjorma, os ataques contra Luis Pablo não atingem apenas a honra pessoal do profissional, mas também representam uma ameaça à liberdade de imprensa e à liberdade de expressão.

Na nota, as entidades afirmam que questionar a legitimidade profissional de um jornalista por meio de ataques raciais configura uma forma de intimidação.

Jornalista é investigado por matérias sobre Flávio Dino

Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, agentes da Polícia Federal cumpriram em 10 de março um mandado de busca e apreensão contra o jornalista Luis Pablo Conceição Almeida. A medida integra uma investigação que apura um suposto crime de perseguição contra o ministro Flávio Dino.

Segundo o jornalista, as reportagens investigavam o uso de um carro oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA). O tribunal dispõe de quatro veículos blindados destinados a autoridades, incluindo um para missões institucionais.

De acordo com Luis Pablo, um desses veículos estaria à disposição de Dino e vinha sendo utilizado de forma privada por sua esposa.

O jornalista afirmou ainda que a reportagem mencionava um documento segundo o qual o STF teria solicitado apenas apoio policial ao ministro quando ele estivesse no Maranhão, e não a cessão de um carro oficial. Depois da publicação, segundo ele, o tribunal teria formalizado um pedido para manter o uso do veículo.

Leia mais: “Jornalista que fez reportagem sobre Dino relata intimidação da PF

Luis Pablo disse que a apuração começou a partir de uma denúncia recebida pela redação. Ele afirmou que investigou as informações e procurou o STF e o TJ-MA antes da publicação, mas não recebeu resposta.

O jornalista também declarou que recebeu um vídeo em que a esposa de Dino aparece dentro do carro oficial acompanhada do filho do casal. Por envolver uma criança, ele afirmou que decidiu não divulgar o conteúdo integral.

Leia também: “Liberdade de imprensa sob ataque”, reportagem de Anderson Scardoelli, publicada na Edição 314 da Revista Oeste

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