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Economist aponta desconfiança de brasileiros nas urnas eletrônicas

Dados recentes mostram que 43% dos entrevistados consideram os dispositivos pouco confiáveis, número que era de 22% em 2022

urnas eletrônicas-Antonio AugustoAscomTSE
Cerca de 124 mil urnas eletrônicas serão preparadas para 2026 | Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE

A confiança dos brasileiros no sistema de votação eletrônica, pioneiro no mundo por realizar eleições totalmente digitais, tem diminuído ao longo dos anos, apesar de campanhas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a criação do mascote Pilili para celebrar os 30 anos das urnas eletrônicas em maio. Mesmo com iniciativas para aproximar o público, o índice de desconfiança aumentou, conforme abordou o jornal britânico The Economist.

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Em 2009, pesquisa do Latinobarómetro mostrou que 45% da população confiava nas eleições, enquanto 47% suspeitava de fraudes. Em 2024, apenas 32% afirmam confiar e 61% desconfiam do processo. Dados recentes mostram que 43% dos entrevistados consideram as urnas pouco confiáveis, número que era de 22% em 2022.

Urnas eletrônicas: tendências e influência política

Fachada do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) | Foto: Divulgação/TSE

O cenário brasileiro reflete uma tendência global de erosão da confiança em processos eleitorais. Ainda segundo o jornal, a polarização e a desinformação digital alimentam a desconfiança, mesmo sem comprovação oficial de fraude. O funcionamento técnico do sistema facilita o surgimento de boatos.

O processo começa com a identificação do eleitor pela digital, seguido da escolha numérica do candidato e confirmação. Os votos são embaralhados aleatoriamente para garantir o sigilo. Ao fim da votação, um boletim impresso é afixado nas seções, sendo este o único registro em papel.

Leia também: “Eleição não é brinquedo”, artigo de Alexandre Garcia publicado na Edição 321 da Revista Oeste

Depois do fechamento das urnas, um mesário retira os dispositivos de memória e envia um arquivo criptografado ao TSE por rede privada virtual. O software utilizado, desenvolvido pelo próprio tribunal, emprega protocolos semelhantes aos usados em bancos. Cada urna possui uma assinatura digital exclusiva, que valida o envio dos resultados. Equipamentos não contam com acesso à internet ou bluetooth e recusam memórias sem a assinatura correta.

“Mesmo com alguns agentes de má-fé no TSE, há camadas demais de segurança para que consigam alterar o sistema ou a apuração”, afirmou Carlos Alberto da Silva, professor de criptografia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. “Em três décadas, nunca houve indício de fraude eleitoral no sistema brasileiro”, disse Cármen Lúcia, ex-presidente do TSE, ressaltando que “esse fato fala por si só”.

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