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Estadão conclui que a 'paternidade dos juros altos' é do governo Lula

Em decisão unânime na última quarta-feira, 19, o Copom elevou a Selic em 1 ponto porcentual, o que a fez chegar a 14,25% ao ano

galípolo e lula
Esta foi a 2ª reunião do Copom com o indicado de Lula, Gabriel Galípolo, na presidência do Banco Central | Foto: Reprodução/Youtube

Em editorial publicado na manhã desta sexta-feira, 21, o jornal O Estado de S. Paulo fez uma análise da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), de aumentar a taxa Selic em 1 ponto porcentual e também da narrativa adotada pelo governo Lula a partir dela.

Na noite da última quarta-feira, 19, os integrantes do grupo decidiram, por unanimidade, em aumentar os juros brasileiros para 14,25% ao ano. Trata-se da maior taxa desde outubro de 2016.

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Apesar disso, todos já esperavam a alta. “Não havia como ser diferente num contexto de inflação elevada, sob pressão e acima da meta”, explicou o Estadão. “Mas nada disso impedia o governo de tentar constranger a atuação do Banco Central até então.”

Isso porque quem comandava o Banco Central era Roberto Campos Neto, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Agora, sob Gabriel Galípolo, colocado no cargo por Lula, o governo adotou postura diferente para com o presidente do BC.

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“Por ser indicado pelo Bolsonaro, Campos Neto era sistematicamente atacado pelos petistas sempre que os juros subiam – Gleisi Hoffmann, na época presidente do PT, era a mais animada, acusando Campos Neto de ‘terrorismo econômico’ e de não ‘entender nada’ sobre as necessidades dos trabalhadores”, analisa o jornal. “Hoje ministra de Lula, Gleisi nada disse sobre a nova alta de juros. E o silêncio, neste caso, diz muito.”

Reação do governo Lula com a alta dos juros

Para jornal, chegada de Gleisi vai dificultar tarefas de Ministro da Fazenda | Foto: Edu Andrade/Ascom/MF
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann | Foto: Edu Andrade/Ascom/MF

Os pareceres do Copom sugerem que a alta da taxa de juros do Brasil deve seguir para a reunião de maio. Ela não deve ser tão alta como a deste mês, mas pode aumentar até 0,75 ponto porcentual.

“É improvável que o atual presidente do BC conte com a mesma condescendência”, afirma o jornal O Estado de S. Paulo.

Leia também: “O PIB dopado”, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 260 da Revista Oeste

Sobre a atual alta, o governo optou por continuar a culpar Roberto Campos Neto, que deve seguir como bode expiatório até o início de maio.

“Repetindo o que Lula havia dito em janeiro, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que Galípolo não poderia dar um ‘cavalo de pau’ ao assumir o comando do BC, pois teria uma ‘herança’ a administrar”, informou o Estadão. “Só faltou dizer que era uma herança maldita.”

Na opinião do jornal, a ‘paternidade dos juros altos’ — título do editorial — é da gestão de Lula. “Se o governo colaborasse e fizesse sua parte, talvez os juros já estivessem em níveis mais civilizados”, conclui.

Apesar disso, a publicação não vê o futuro com esperança, pois “há muitas outras medidas que devem contribuir para que os juros sejam mantidos em níveis bastante elevados”. Conforme a conclusão, resta saber quem o governo vai responsabilizar nos próximos meses.

4 comentários
  1. Denis R.
    Denis R.

    Se você acha que sua vida não está fácil imagine a do petista e tem que defender as barbeiragens do partido no comando da economia e do país! rs

  2. João José Augusto Mendes
    João José Augusto Mendes

    PT é assim segue o quarto princípio de Platão, não adianta só tirar do seu tem que por no dos outros, ou seja, governo Bolsonaro que já saiu a 2 anos.

  3. Ivan Sérgio de Paula lima
    Ivan Sérgio de Paula lima

    Nossa! Os crápulas do estadinho que fizeram o L descobriram isso agora?

  4. Lauro Patzer
    Lauro Patzer

    É repugnante culpar os outros pelo próprio erro e incompetência. Roberto Campos Neto continua levando a culpa pela alta dos juros, recorde desde 2016. Mas o Estadão aponta a quem cabe a paternidade.

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