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Folha: saída de Lupi era inevitável, mas não encerra escândalo do INSS

Enquanto Luiz Inácio Lula da Silva promove dança das cadeiras do Ministério da Previdência, oposição articula CPI sobre o caso

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O então presidente eleito, Lula, indica Carlos Lupi, presidente do PDT, ao cargo de ministro da Previdência - 29/12/2023 | Foto: Ton Molina/Estadão Conteúdo

Em editorial publicado na noite deste sábado, 3, o jornal Folha de S.Paulo opinou sobre a situação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, depois da repercussão e dos desdobramentos da operação da Polícia Federal, que escancarou uma fraude no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

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Conforme a publicação, a queda do então ministro da Previdência, Carlos Lupi, era inevitável, mas não encerra o escândalo. “Omissão de ministro ante fraudes no INSS, que dispararam sob Lula, é inquietante para um governo conectado a sindicatos”, opinou a Folha.

Em seu discurso no Dia do Trabalho, 1º de maio, Lula adotou a narrativa de que seu governo desmontou um esquema criminoso de desvios do dinheiro de aposentados e pensionistas, que ocorria desde 2019. No entanto, a Folha escreve que os fatos são bem mais graves para a administração petista.

“Já no primeiro ano deste governo, em junho de 2023, o tema foi tratado em reunião do Conselho Nacional de Previdência Social”, começa a argumentar o jornal. “Em 2016, quando Michel Temer (MDB) ocupava o Palácio do Planalto, os descontos ficaram em R$ 413 milhões. No final da gestão de Jair Bolsonaro (PL), em 2022, foram R$ 706 milhões. No ano passado, a cifra subiu a nada menos que R$ 2,6 bilhões.”

Os desdobramentos da fraude no INSS

Pelo menos sete entidades de fachada participaram da fraude no INSS | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Pelo menos sete entidades de fachada participaram da fraude no INSS | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Conforme um relatório da Controladora-Geral da União (CGU), que trabalhou com a PF no caso, cerca de 97,% de mais de 1,2 mil entrevistados disseram não ter autorizado descontos. “Isso foi entre abril e julho de 2024”, informou o jornal. “Tratando-se de um governo com óbvias conexões sindicais, os dados são particularmente inquietantes.”

Leia também: “Engrenagem da corrupção”, reportagem de Silvio Navarro publicada na Edição 267 da Revista Oeste

Por isso, o texto afirma que a queda de Lupi, do PDT, apesar de tardia, era inevitável. Na sequência, “para não melindrar ainda mais o partido aliado”, Lula indicou o também pdtista Wolney Queiroz, “correligionário de Lupi que era o número dois do ministério” e participou de reunião em 2023 que discutiu o caso.

“Com sua reação tardia e hesitante, o governo corre o risco de ver a investigação da fraude nas mãos da oposição, que articula uma comissão de inquérito no Congresso Nacional”, afirma a Folha. “A despeito do trabalho meritório da CGU e da PF, será difícil negar a pertinência da atuação parlamentar.”

O jornal conclui que o ressarcimento do dinheiro roubado é urgente e óbvio. Além disso, “falta explicar como o esquema de desfaçatez se expandiu sob a guarda de um órgão público e mostrar que ele não se repetirá”.

Leia também: “Onde os idosos não têm vez”, artigo de Tiago Pavinatto publicado na Edição 267 da Revista Oeste

1 comentário
  1. Bibliófilo

    No PT é assim: sai um rato e entra outro pior. E o roubo continua.

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