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PCC se tornou potência global do crime organizado, diz WSJ

O grupo, criado no sistema prisional brasileiro nos anos 1990, expandiu suas operações para quase 30 países

argentina - PCC é umas das principais facções crimonosas do país | Foto: Reprodução/Twitter/X
A escolha dos países se dá pela extensa fronteira com o Brasil e pela proximidade das rotas do tráfico de cocaína para a Europa | Foto: Reprodução/Twitter/X

O avanço internacional do Primeiro Comando da Capital (PCC) chamou a atenção do The Wall Street Journal, que analisou a facção como um dos principais fenômenos do crime organizado mundial nas últimas décadas. O grupo, criado no sistema prisional brasileiro nos anos 1990, expandiu suas operações para quase 30 países, consolidando-se como peça central no tráfico global de drogas.

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Inicialmente, o PCC foi fundado em 1993, na penitenciária de Taubaté, em São Paulo, com o objetivo de proteger detentos contra a violência nas prisões. O que era uma associação primária se desenvolveu em uma organização altamente estruturada, contando atualmente com cerca de 40 mil integrantes, entre presos e membros em liberdade, de acordo com autoridades consultadas pelo WSJ, que consideram o PCC o maior grupo criminoso das Américas.

Estratégias de expansão e estrutura organizacional

Para o promotor Lincoln Gakiya, “se tornou um grupo verdadeiramente transnacional” e “a organização criminosa que mais cresce no mundo”, declarou ao jornal. A expansão do PCC, segundo o WSJ, está ligada à estratégia de evitar confrontos públicos e à preferência por operações discretas, diferentemente de outros cartéis mais violentos.

O modelo de atuação do PCC assemelha-se ao de empresas multinacionais, com estruturas horizontais que conferem autonomia às células e dificultam a repressão policial. Isso permite continuidade das operações mesmo depois de prisões de líderes históricos, como Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, detido desde 1999.

Segundo a reportagem, a facção mantém coesão interna por meio de códigos de conduta rígidos, rituais de ingresso e até disfarces religiosos. Em algumas investigações, integrantes se passaram por líderes de igrejas em comunidades vulneráveis, facilitando a logística, especialmente no Norte do país.

Diversificação de atividades criminosas

Outro aspecto destacado pelo WSJ é a diversificação dos crimes cometidos. Apesar de o tráfico de cocaína ser a principal fonte de lucro, o PCC também atua em mineração ilegal, crimes digitais, roubo de cargas e lavagem de dinheiro, e usam empresas como fintechs, postos de combustíveis e empreendimentos imobiliários para mascarar atividades ilícitas.

Autoridades dos Estados Unidos acompanham de perto a expansão internacional do PCC. O governo norte-americano já sancionou a facção, classificando-a como uma das principais organizações do narcotráfico da América Latina. Investigações recentes identificaram membros em vários Estados norte-americanos, inclusive envolvidos com tráfico de armas e fentanil.

Controle de rotas e impacto global

O domínio de rotas estratégicas, notadamente na região amazônica, sustenta a expansão do PCC. O grupo eliminou intermediários, assumiu o controle direto do transporte de drogas e utiliza logística que envolve rios, estradas e aviões até portos brasileiros, com destaque para o de Santos, principal ponto de saída rumo à Europa.

No cenário europeu, a atuação do PCC impactou portos como Antuérpia, Roterdã e Hamburgo, agora pontos críticos para entrada de cocaína, gerando disputas entre quadrilhas locais. Em 2023, apreensões recordes da droga na União Europeia evidenciaram a magnitude do esquema.

Influência no mercado ilegal e na política

A reportagem também aponta a crescente infiltração do grupo no setor econômico e político brasileiro, com tentativas de influenciar eleições e contratos públicos, ao revelar grau de penetração institucional que ultrapassa o crime tradicional. O WSJ conclui que o PCC deixou de ser um problema local e alcançou influência comparável às maiores redes criminosas do planeta.

“As autoridades já não falam em eliminar o PCC, mas sim em gerir a sua convivência instável com o Estado — o que muitas vezes deixa os investigadores frustrados ou perplexos com as ligações entre os criminosos e o próprio Estado”, escreveu o jornal.

Leia também: “Punição excessiva e impagável”, artigo de Rachel Díaz na Edição 315 da Revista Oeste

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