O avanço internacional do Primeiro Comando da Capital (PCC) chamou a atenção do The Wall Street Journal, que analisou a facção como um dos principais fenômenos do crime organizado mundial nas últimas décadas. O grupo, criado no sistema prisional brasileiro nos anos 1990, expandiu suas operações para quase 30 países, consolidando-se como peça central no tráfico global de drogas.
+ Leia mais notícias de Imprensa em Oeste
Receba nossas atualizações
Inicialmente, o PCC foi fundado em 1993, na penitenciária de Taubaté, em São Paulo, com o objetivo de proteger detentos contra a violência nas prisões. O que era uma associação primária se desenvolveu em uma organização altamente estruturada, contando atualmente com cerca de 40 mil integrantes, entre presos e membros em liberdade, de acordo com autoridades consultadas pelo WSJ, que consideram o PCC o maior grupo criminoso das Américas.
Estratégias de expansão e estrutura organizacional
Para o promotor Lincoln Gakiya, “se tornou um grupo verdadeiramente transnacional” e “a organização criminosa que mais cresce no mundo”, declarou ao jornal. A expansão do PCC, segundo o WSJ, está ligada à estratégia de evitar confrontos públicos e à preferência por operações discretas, diferentemente de outros cartéis mais violentos.
O modelo de atuação do PCC assemelha-se ao de empresas multinacionais, com estruturas horizontais que conferem autonomia às células e dificultam a repressão policial. Isso permite continuidade das operações mesmo depois de prisões de líderes históricos, como Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, detido desde 1999.
Segundo a reportagem, a facção mantém coesão interna por meio de códigos de conduta rígidos, rituais de ingresso e até disfarces religiosos. Em algumas investigações, integrantes se passaram por líderes de igrejas em comunidades vulneráveis, facilitando a logística, especialmente no Norte do país.
Diversificação de atividades criminosas
Outro aspecto destacado pelo WSJ é a diversificação dos crimes cometidos. Apesar de o tráfico de cocaína ser a principal fonte de lucro, o PCC também atua em mineração ilegal, crimes digitais, roubo de cargas e lavagem de dinheiro, e usam empresas como fintechs, postos de combustíveis e empreendimentos imobiliários para mascarar atividades ilícitas.
Autoridades dos Estados Unidos acompanham de perto a expansão internacional do PCC. O governo norte-americano já sancionou a facção, classificando-a como uma das principais organizações do narcotráfico da América Latina. Investigações recentes identificaram membros em vários Estados norte-americanos, inclusive envolvidos com tráfico de armas e fentanil.
Controle de rotas e impacto global
O domínio de rotas estratégicas, notadamente na região amazônica, sustenta a expansão do PCC. O grupo eliminou intermediários, assumiu o controle direto do transporte de drogas e utiliza logística que envolve rios, estradas e aviões até portos brasileiros, com destaque para o de Santos, principal ponto de saída rumo à Europa.
No cenário europeu, a atuação do PCC impactou portos como Antuérpia, Roterdã e Hamburgo, agora pontos críticos para entrada de cocaína, gerando disputas entre quadrilhas locais. Em 2023, apreensões recordes da droga na União Europeia evidenciaram a magnitude do esquema.
Influência no mercado ilegal e na política
A reportagem também aponta a crescente infiltração do grupo no setor econômico e político brasileiro, com tentativas de influenciar eleições e contratos públicos, ao revelar grau de penetração institucional que ultrapassa o crime tradicional. O WSJ conclui que o PCC deixou de ser um problema local e alcançou influência comparável às maiores redes criminosas do planeta.
“As autoridades já não falam em eliminar o PCC, mas sim em gerir a sua convivência instável com o Estado — o que muitas vezes deixa os investigadores frustrados ou perplexos com as ligações entre os criminosos e o próprio Estado”, escreveu o jornal.
Leia também: “Punição excessiva e impagável”, artigo de Rachel Díaz na Edição 315 da Revista Oeste
Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.