O foco da atenção israelense está dividido entre o Irã e Gaza, onde a situação continua tensa e indefinida desde o acordo de cessar-fogo proposto por Donald Trump há quase seis meses.
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Parte da Faixa de Gaza — aproximadamente 57% — está sob controle Israel, onde segue em andamento o processo de remoção de entulhos e de reconstrução da infraestrutura urbana. Os outros 43% seguem sob governo do Hamas.
Ali, pouco mudou desde a retirada das tropas israelenses, conforme exigido no acordo de cessar-fogo. Assim que os soldados deixaram como Khan Yunis e Gaza City, o grupo terrorista realizou uma onda de execuções públicas de civis palestinos acusados de colaboração com Israel.
Os caminhões de ajuda humanitária voltaram a ser desviados pelo grupo assim que passam a fronteira, e mais de 120 ataques foram realizados contra soldados israelenses posicionados além da Linha Amarela (a fronteira provisória que divide a área controlada pelo Hamas e por Israel). O grupo também lançou mísseis contra comunidades no sul de Israel, o que levou o país a reagir com um ataque aéreo, há cerca de três semanas.
A infraestrutura civil continua sendo usada por terroristas do Hamas. Em 16 de fevereiro, a organização Médicos sem Fronteiras anunciou a suspensão de todas as operações médicas não críticas no Hospital Nasser, em Khan Yunis. Segundo a entidade, sua equipe relatou “um padrão de atos inaceitáveis em áreas do grande complexo do hospital”, incluindo “a presença de homens armados, alguns deles mascarados; intimidação; prisão arbitrária de pacientes; e uma situação recente envolvendo o movimento suspeito de armas”.
A notícia repercutiu em veículos de informação de todo o mundo e também foi publicada no site do think tank americano Foundation for the Defense of Democracies (FDD).
Board of Peace: um projeto polêmico
Está claro que caberá a Israel concluir a etapa de desmilitarização da Faixa de Gaza e destituir o Hamas do poder, dois itens previstos no Acordo de 20 Pontos de Trump. Nenhum outro país se prontificou a assumir essa tarefa, e os israelenses tampouco criaram expectativas nesse sentido.
Os planos de reconstrução de Gaza, amplamente debatidos ao longo do último ano de guerra, avançam lentamente no campo político. Para coordená-la, Trump lançou o Board of Peace (BoP) em setembro de 2025. O primeiro encontro das nações participantes aconteceu há pouco, em 19 de fevereiro. O evento representa pouco: o projeto permanece tão controverso quanto no momento de seu lançamento.
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A proposta inicial, de atuar como um conselho focado na estabilização e na reconstrução de Gaza, rapidamente revelou-se distinta. Hoje está mais claro aquele que parece ser seu objetivo real: atuar como um mecanismo global de resolução de conflitos à margem da estrutura da ONU.
A recusa de potências relevantes em aderir ao BoP gerou uma evidente crise de legitimidade. Não à toa, ele passou a ser sarcasticamente chamado de United Nations of Trump ou Bored of Peace.
O ângulo israelense
O BoP não atende aos anseios de Israel, sobretudo por transferir a terceiros decisões que afetam diretamente sua segurança. A ausência de grandes aliados ocidentais, como a Alemanha, reforça o seu risco de isolamento diplomático.
Ironicamente, estão entre os membros do órgão o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, conhecido por comparar o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu a Adolf Hitler. O Catar é outro dos integrantes, apesar de ter sido o principal financiador dos túneis do Hamas e de ter acusado Israel de genocídio na ONU há menos de dois anos.
Até o momento, 26 países anunciaram participação no BoP. Na semana passada, a Indonésia comprometeu-se a enviar a primeira tropa, com oito mil soldados. Jordânia e Egito recusaram-se a integrar a iniciativa, embora tenham se comprometido a treinar a futura força policial responsável pela manutenção da ordem em Gaza.
Em outras palavras, esses dois países, que jamais confrontaram o Hamas, serão responsáveis por neutralizar cerca de 30 mil terroristas armados. Caberá a eles moldar a doutrina, a cultura de comando e as relações entre os grupos armados do enclave.
É importante ressaltar que nem esses países, nem mesmo os Estados Unidos, consideram a possibilidade de atuar militarmente na área que permanece sob controle do Hamas.
A resposta do Hamas
O Hamas perdeu toda a sua liderança durante a guerra contra Israel. O território está destruído, a economia em colapso e praticamente não há serviços públicos disponíveis. Ainda assim, sua reação frente à pressão internacional tem sido a imposição de condições: fim do bloqueio, retirada de Israel e manutenção de seu arsenal. Para o grupo, a guerra só termina com a criação de um Estado palestino.
“Milhões de dólares continuam sendo desperdiçados todos os dias na Faixa de Gaza graças à criminalidade do Hamas, ao enorme consórcio de influenciadores e a uma nova classe de milionários que rouba quantias imensas de dinheiro e suprimentos. Neste vídeo, um volume enorme de comida — incluindo frango assado e cru, além de arroz já pronto — foi encontrado em um lixão perto de uma cidade de tendas”, escreveu no X o ativista palestino Ahmed Fouad Alkhatib, membro sênior do think tank americano The Atlantic Council.
O orçamento previsto para os dez primeiros anos do projeto é de US$ 17 bilhões e inclui a construção de uma base e de um centro de coordenação militares americanos, que atuarão em conjunto com a estrutura já existente em Kiriat Gat, em Israel.
No entanto, até mesmo os americanos sabem: o BoP só terá chances de avançar depois que o Hamas for desmobilizado. O grupo já deixou claro que, sem guerra, isso não acontecerá. Israel, mais uma vez, terá que estar na linha de frente, tanto das batalhas quanto como alvo das críticas internacionais.





































Israel, mais uma vez, sendo o bastião da democracia!!!
Viva Israel!!!