O governo dos Estados Unidos provocou um clima de tensão nesta semana por sua movimentação militar na América Latina. A pedido do presidente Donald Trump, cerca de 4 mil soldados e três embarcações de guerra com mísseis guiados foram enviados à região, com o objetivo de reforçar o combate ao narcotráfico nas proximidades da Venezuela.
A Casa Branca acusa o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, de liderar um cartel internacional de tráfico de drogas — como o fentanil, substância que se espalha rapidamente por várias cidades do país, com uma propagação semelhante a uma epidemia — com destino aos EUA.
Receba nossas atualizações
Venezuela tem estrutura militar limitada
Se as tensões chegarem a um confronto militar, a Venezuela estaria em desvantagem. O país ocupa a 50ª posição no ranking global de poder militar, segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, referência mundial no tema.
As Forças Armadas venezuelanas enfrentam limitações orçamentárias, dificuldades técnicas e restrições comerciais. De acordo com levantamento do site Global Military, a Força Aérea do país sul-americano possui mais de 220 aeronaves ativas, enquanto a Marinha dispõe de mais de 40 navios, inclusos três submarinos destinados a operações militares.
+ Leia mais notícias do Mundo em Oeste
O efetivo é de mais de 120 mil soldados em serviço ativo, 8 mil reservistas e cerca de 220 mil integrantes de forças paramilitares. No total, ao somar as diferentes estruturas, o número de militares alcança pouco mais de 340 mil. A população estimada do país é de quase 30 milhões de pessoas.
Os recursos financeiros aplicados na área de Defesa são baixos. Em 2018, o orçamento militar somou cerca de US$ 750 milhões, o que corresponde a apenas 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) venezuelano. Na prática, significou um gasto de US$ 25 por habitante. Para efeito de comparação, os EUA investem centenas de bilhões de dólares por ano em defesa.
A orientação estratégica das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas está voltada principalmente para a segurança interna e a preservação do regime. Sua doutrina militar é influenciada pelo chavismo, baseada na ideia de “união cívico-militar” e na preparação para uma “guerra popular de resistência” contra ameaças externas e internas.
O arsenal venezuelano é majoritariamente composto de equipamentos de origem russa e chinesa, reflexo do embargo de armas imposto pelos EUA desde 2006. O país dispõe ainda de sistemas de mísseis antiaéreos considerados avançados. Entretanto, há relatos de dificuldades para manutenção e obtenção de peças de reposição.
Em 2025, a Venezuela inaugurou uma fábrica de munições Kalashnikov em Maracay, em parceria com a Rússia. A unidade tem como objetivo produzir cartuchos de 7,62 milímetros para os fuzis AK-103, padronizados no país, a fim de diminuir a dependência de importações. A estatal Cavim também atua na produção licenciada de armas e na modernização de equipamentos antigos.
Leia mais:
Peso político dos militares no regime Maduro
Apesar dessas iniciativas, o peso político e econômico dos militares se mostra maior do que sua capacidade bélica. Relatório da revista Americas Quarterly mostra que oficiais ativos e da reserva ocupam cargos de destaque no governo e em setores estratégicos da economia.
A publicação relata que Maduro “tem se apoiado ainda mais fortemente nas Forças Armadas para sufocar a oposição e garantir sua posição como presidente”, ao mesmo tempo em que lhes concede controle sobre áreas como a distribuição de alimentos, a rede elétrica e a administração portuária.
O ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, é descrito como “o segundo homem mais poderoso da Venezuela”, enquanto o chefe do comando estratégico, Remigio Ceballos, declarou que lutaria “uma guerra de guerrilha” caso o regime fosse derrubado.

Já o ministro do Interior, general Néstor Reverol, acusado de narcotráfico pelos EUA, lidera a Guarda Nacional, considerada como a responsável por violações de direitos humanos e pela repressão a protestos.
Segundo os documentos, a influência política dos militares foi ampliada ao longo dos anos, especialmente desde a ascensão de Hugo Chávez ao poder, em 1999. Em 2016, o Supremo Tribunal autorizou a criação da Camimpeg, companhia militar de petróleo e gás, o que aumenta o peso financeiro das Forças Armadas na principal indústria do país.
Diante da pressão externa e da crise interna, a Venezuela mantém um aparato militar numeroso, mas com limitações técnicas e operacionais. Em contraste, os EUA reforçam sua presença naval no Caribe e ampliam o desequilíbrio de forças entre as duas nações.
Leia também: “Os cúmplices de Castro”, artigo de Rodrigo Constantino publicado na Edição 69 da Revista Oeste
Aeronaves dos EUA operam ao norte da Venezuela
Paraguai classifica cartel ligado a Maduro como grupo terrorista
María Corina Machado apoia pagamento de recompensa por Maduro
Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.