Ambientalismo e burocracia travam plano da Europa para cortar gás russo

União Europeia aposta em turbinas eólicas e painéis solares, mas vê obstáculos em ativismo e legislações nacionais
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Parques de energia eólica estão entre apostas da União Europeia
Parques de energia eólica estão entre apostas da União Europeia | Foto: Montagem Revista Oeste/Pixabay

Pressionada pelas consequências da guerra na Ucrânia, a Europa enfim tem um plano para se livrar da dependência de gás da Rússia, instalando turbinas eólicas e painéis solares em grande escala. No entanto, para tirar do papel a estratégia energética dos próximos anos, as autoridades do continente vão ter de enfrentar uma resistência inesperada.

Segundo reportagem do The Wall Street Journal desta segunda-feira, 30, o ativismo de grupos ambientalistas promete dificultar a execução de planos alternativos de energia. A burocracia de leis nacionais também entra no pacote de obstáculos.

Atualmente, a Rússia é a maior exportadora mundial de gás natural liquefeito e responde por 45% das exportações para a União Europeia, com fornecimento significativo para países como Alemanha e Itália, por exemplo. Os russos lideram o comércio global nesse nicho, acompanhados de Catar e Irã.

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Em meio à guerra com a Ucrânia, o presidente russo, Vladimir Putin, exigiu que os países que chama de ‘hostis’ paguem pelo gás em rublos. Caso contrário, o governo da Rússia ameaça cortar o fornecimento, como já aconteceu em abril com Bulgária e Polônia.

Impacto para pássaros na Alemanha

Na Alemanha, maior comprador de gás russo na Europa, grupos de proteção à vida selvagem desafiam os parques eólicos, em resistência que deve estender o tempo de aprovação do plano para mais de cinco anos. Focos contrários às soluções, que incluem fazendas solares, foram registrados também em outros países do continente.

A União Europeia (UE) está propondo mais que dobrar a eletricidade do bloco gerada a partir do vento e mais que triplicar a partir de painéis solares até 2030. A meta é que o grupo de 27 nações consiga gerar 45% de sua energia a partir de fontes renováveis.

Para atingir essas metas, as autoridades da UE estão pressionando os governos nacionais a reduzir o tempo de aprovação de projetos de energia renovável para menos de dois anos, simplificando os regulamentos de licenciamento.

Mas o plano enfrenta uma poderosa coalizão de interesses. Algumas autoridades locais temem que torres eólicas e fazendas solares comprometam paisagens históricas de castelos e igrejas. Por sua vez, grupos ambientalistas argumentam que a geração anterior de projetos não levou em conta adequadamente o impacto sobre pássaros e morcegos.

A WestfalenWIND luta há seis anos para modernizar um parque de energia eólica no noroeste da Alemanha com turbinas modernas que seriam até três vezes mais potentes. No caminho, estava o Nabu, um dos grupos ambientalistas mais poderosos do país.

As autoridades locais rejeitaram o plano depois que o Nabu disse que a atualização representava uma ameaça para espécies de aves locais, como a pipa vermelha. O projeto acabou aprovado, mas cheio de limitações: as turbinas só poderiam operar à noite e apenas de março a outubro. Ainda assim, os ativistas entraram com uma ação buscando bloquear a inovação.

Leis francesas e burocracia italiana

Na França, as leis que proíbem turbinas eólicas perto de radares militares e rotas de voo praticamente inviabilizam o projeto no país. Requisitos para examinar o impacto na paisagem também diminuíram as chances de aprovação. Na Polônia e na Hungria, as regras aprovadas nos últimos anos tornaram quase impossível construir novos parques eólicos em ambos os países.

Na Itália, por sua vez, os obstáculos parecem residir no trâmite burocrático. Geralmente, iniciativas de energia renovável levam sete anos para obter aprovação, de acordo com um estudo encomendado pelo grupo Elettricità Futura. Mais de 70% dos 264 projetos eólicos e solares apresentados no ano passado ainda aguardam autorização para prosseguir no país.

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4 comentários Ver comentários

  1. Sabem aquela expressão de “sofrer na própria carne”? Pior é que os governos que fazem essas leis para benefício próprio mas é o povo que sofre 🙄

  2. Por trás de argumento ambientalista esconde-se um enorme interesse financeiro do petróleo e do carvão! Apenas mais um bando de hipócritas que manipulam alguns inocentes úteis e ingênuos.

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