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Ativistas usam Starlink para burlar bloqueio de comunicação no Irã

Aparelhos de internet via satélite da empresa de Elon Musk têm sido contrabandeados para dentro do país desde os protestos de 2022

Irã Starlink
Ditadura do Irã possui um dos sistemas de censura digital mais sofisticados do mundo I Foto: Reprodução/Flickr

Na tentativa de se preparar para um eventual bloqueio total de comunicações imposto pela ditadura do aiatolá Ali Khamenei, do Irã, ativistas passaram anos contrabandeando sistemas da Starlink, empresa de internet via satélite de Elon Musk. A informação foi publicada pelo jornal The New York Times.

Desde a semana passada, vigora no Irã um bloqueio quase completo de internet e telefonia móvel. As autoridades desligaram redes celulares e serviços on-line, o que paralisou aplicativos bancários, compras digitais e mensagens de texto. A medida veio em meio a uma nova onda de protestos contra o regime teocrático, dificultando o acesso a informações independentes dentro e fora do país.

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De acordo com a reportagem, uma rede formada por ativistas, engenheiros e desenvolvedores conseguiu manter conexões com o exterior por meio de milhares de terminais Starlink contrabandeados para o território iraniano. Com esses equipamentos, manifestantes passaram a divulgar imagens de confrontos nas ruas, disparos de forças de segurança e famílias em busca de corpos de vítimas da repressão.

Pesquisadores de direitos digitais afirmam que o governo iraniano reagiu com medidas mais agressivas. Autoridades passaram a usar equipamentos de interferência eletrônica de padrão militar para tentar interromper os sinais de GPS necessários para o funcionamento do Starlink — uma prática normalmente associada a cenários de guerra, como o conflito na Ucrânia.

Irã possui um dos mais sofisticados sistemas de censura digital do mundo

Segundo ativistas ouvidos pelo New York Times, o contrabando de terminais da Starlink começou depois dos protestos de 2022, quando Ali Khamenei já havia recorrido a apagões de internet. Desde então, cerca de 50 mil equipamentos teriam entrado no país, apesar de as leis iranianas proibirem serviços de comunicação não licenciados pelo governo.

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O Irã possui um dos sistemas de censura digital mais sofisticados do mundo, atrás apenas da China. O país mantém uma rede nacional de informações, isolada da internet global, e controla rigidamente o acesso a conteúdos estrangeiros.

Em 8 de janeiro, com a intensificação dos protestos, as autoridades derrubaram quase todo o tráfego internacional de dados, que caiu 99%, segundo a organização Netblocks.

Leia também: “Pérsia livre!”, reportagem publicada na Edição 305 da Revista Oeste

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