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China executa quatro membros de poderoso grupo criminoso na fronteira com Mianmar

A medida encerra parte da ofensiva do governo chinês para desarticular quadrilhas que atuam na fronteira sul, envolvidas em golpes e sequestros que afetavam cidadãos chineses

Bandeira da República Popular da China
Bandeira da República Popular da China | Foto: Domínio Público/Wikimedia Commons

Quatro integrantes de uma rede criminosa que mantinha operações a partir da região de Kokang, em Mianmar, foram executados nesta segunda-feira, 2, por decisão judicial da China, conforme informou o Poder360. A medida encerra parte da ofensiva do governo chinês para desarticular quadrilhas que atuam na fronteira sul, envolvidas em golpes e sequestros que afetavam cidadãos chineses.

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O Tribunal Popular Intermediário de Shenzhen realizou as execuções de Bai Yingcang, Yang Liqiang, Hu Xiaojiang e Chen Guangyi, depois de validação do Supremo Tribunal Popular. A ação ocorreu poucos dias depois da execução de 11 membros da família Ming, outro grupo criminoso da mesma região, em 29 de janeiro.

O poder dos clãs criminosos na fronteira

Os quatro pertenciam ao chamado “grupo criminoso da família Bai”, considerado um dos clãs mais influentes em Kokang. Eles comandavam áreas autônomas repletas de centros de fraude por telecomunicações, cassinos e laboratórios de drogas, empregando milícias armadas para proteger atividades ilícitas que causaram prejuízos superiores a 29 bilhões de yuans (US$ 4,17 bilhões) às vítimas.

Segundo o tribunal, o grupo foi responsabilizado por seis homicídios de cidadãos chineses e deixou vários outros feridos. As operações envolviam atrair investidores para a região, onde eram forçados a participar de golpes sob proteção armada da família Bai.

O líder do grupo, Bai Suocheng, havia recebido sentença de morte em 3 de novembro de 2025, mas morreu por doença antes de ser executado, conforme informou o tribunal. As execuções recentes refletem o esforço das autoridades chinesas, que vêm pressionando a junta militar de Mianmar para combater centros de golpes na fronteira.

Esses locais empregavam trabalho forçado e mantinham milhares de pessoas, inclusive chineses, em complexos onde eram obrigados a aplicar golpes on-line, principalmente envolvendo criptomoedas e fraudes românticas.

Detalhes do julgamento e condenação na China

Na revisão do caso, o Supremo Tribunal Popular destacou que Bai Yingcang era responsável por organizar e liderar o grupo, fornecendo “abrigo armado” para operações de fraude, além de traficar e fabricar quase 11 toneladas de metanfetamina. Yang, Hu e Chen eram apontados como executores diretos, gerenciando áreas específicas, com crimes descritos como “extremamente graves” e de alto impacto social.

O julgamento e condenação do grupo ocorreram em novembro de 2025. O Tribunal Popular Superior de Guangdong rejeitou os recursos em 24 de dezembro de 2025, confirmando as sentenças.

Leia também: “Togas fora da lei”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 245 da Revista Oeste

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