Demitir funcionários ineficientes é muito trabalhoso

Empresas norte-americanas se acostumaram com empregados pouco produtivos
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Nos EUA, demitir trabalhador ineficiente custa caro
Nos EUA, demitir trabalhador ineficiente custa caro | Foto: Reprodução/Flickr

Manter um emprego nos Estados Unidos é muito fácil, segundo o colunista Callum Borchers, do The Wall Street Journal. Em alguns casos, basta ter pouco mais que a capacidade de ficar acordado. No mercado mais concorrido em meio século, os funcionários em cargos mais importantes também podem sobreviver sem desempenhar tarefas complexas.

“Você teria de ser incrivelmente ruim para ser demitido como engenheiro de software”, afirma David Cancel, executivo-chefe da Drift, uma empresa de marketing com sede em Boston que usa inteligência artificial. “A maioria das empresas está mantendo pessoas que não comporiam a equipe em um mercado mais flexível. Os padrões seriam mais altos.”

Apesar de os economistas alertarem para uma desaceleração econômica, as demissões nos últimos meses registraram mínimas históricas.

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Eles sabem

Para aqueles que se empenham menos que o normal ou não estão à altura do trabalho, uma dica: seu chefe provavelmente sabe disso. “Mas há pouca garantia de encontrar alguém melhor em breve; então, vocês provavelmente continuarão a receber seu salário”, disse Borchers.

Isso porque, embora gostem de divulgar suas “culturas corporativas ambiciosas” e tenham instrumentos para acompanhar a produtividade dos funcionários, algumas empresas se contentam com a mediocridade.

Mas isso também custa caro. Segundo Jim Link, diretor de recursos humanos da Society for Human Resource Management (SHRM), muitas companhias estão se comprometendo com o treinamento de funcionários que já estão em sua folha de pagamentos.

A SHRM avalia que a integração de novos trabalhadores custaria milhares de dólares antes da pandemia. De lá para cá, tornou-se ainda mais onerosa, pois muitas pessoas trabalham ou querem trabalhar em meio período. “Os empregadores estão buscando maneiras de aprimorar a habilidade e a capacidade dos funcionários que fazem parte de sua equipe”, observou Link.

A saída: autorreflexão

Para descobrir quão ruim você pode ser em seu trabalho, aconselha Benjamin Friedrich, professor-associado de Estratégia da Northwestern University, é necessário indagar a si próprio: “Qual é o valor do meu trabalho para a empresa?” O docente explica que, se você não for muito importante, o desempenho da empresa não deverá ser tão afetado.

Mas há mais efeitos negativos. “A disposição das empresas de tolerar funcionários abaixo da média pode levar os bons a procurar outro lugar — caso não se sintam recompensados adequadamente”, diz Borchers. Onde há pouca distinção entre trabalho bom e ruim, o moral pode se deteriorar com o tempo.

“Se estou trabalhando muito, mas vejo que a gerência não me trata de maneira diferente de alguém que está fazendo o mínimo, isso é muito desmotivador”, afirma Jessie Wisdom, cofundadora da Humu, uma companhia que ajuda as empresas a motivar suas equipes. “Por que eu deveria fazer o meu melhor?”

Leia também: “Capitalismo antilacrador”, artigo de Dagomir Marquezi publicado na Edição 89 da Revista Oeste

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