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Depois de quase 30 anos, Rússia e Coreia do Norte retomam voos diretos

Ligação aérea entre Moscou e Pyongyang simboliza aproximação diplomática e militar entre os dois países aliados

Boeing operado pela companhia russa Nordwind: símbolo de aproximação entre países comandados por regimes ditatoriais | Foto: Reprodução/Twitter/X
Boeing operado pela companhia russa Nordwind: símbolo de aproximação entre países comandados por regimes ditatoriais | Foto: Reprodução/Twitter/X

Depois de quase três décadas de interrupção, Rússia e Coreia do Norte voltaram a ter uma ligação aérea direta. O primeiro voo comercial entre Moscou e Pyongyang em quase 30 anos decolou neste domingo, 27. A operação do trajeto coube à companhia russa Nordwind Airlines. A nova rota marca principalmente o aprofundamento das relações entre os dois países, que têm ampliado sua cooperação política, militar e econômica desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022.

O voo parte do Aeroporto Internacional de Sheremetyevo, em Moscou, com destino ao Aeroporto Internacional de Sunan, na capital norte-coreana. Dessa forma, a operação vai ocorrer uma vez por mês. Para isso, a Nordwind Airlines vai usar aeronaves Boeing 777-200ER com configuração para alta densidade. Na aviação comercial, isso significa disponibilizar o maior número de assentos possível. Assim, os voos terão 440 lugares para passageiros em classe econômica, sem divisões de serviço.

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Rússia adapta avião depois de sanções

A Nordwind adquiriu a aeronave de matrícula RA-73340 depois de 2022, quando as sanções ocidentais forçaram companhias aéreas russas a mudarem seus planos. Desse modo, a empresa precisou devolver aviões que estavam em regime de locação e reconfigurar sua frota. O jato em operação acomodava 285 passageiros.

O ajuste ampliou a capacidade para voos de curta e média duração, impondo, assim um voo de quase oito horas em condições de conforto bastante limitadas. A retomada da ligação aérea acompanha acordos de cooperação mais amplos, incluindo o envio de soldados norte-coreanos para apoiar as tropas russas no conflito na Ucrânia.

Essa não é a única retomada de voos entre países aliados ou estrategicamente alinhados. Em 2023, por exemplo, Síria e Arábia Saudita reativaram voos comerciais depois de 12 anos de rompimento. Já em 2024, Irã e Venezuela ampliaram suas conexões diretas com rotas semanais operadas por companhias estatais. O movimento reflete uma reconfiguração geopolítica em curso, marcada por alianças alternativas e rejeição à ordem ocidental tradicional.

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