Do setor imobiliário ao futebol: quem é a Evergrande, a empresa que deixou investidores em pânico

Possível colapso da companhia derrubou o mercado internacional
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A Evergrande também investiu em futebol
A Evergrande também investiu em futebol | Foto: Divulgação

O possível colapso da Evergrande, gigante do setor de incorporação imobiliária da China, assustou os investidores do mundo inteiro. Conforme noticiou Oeste, o presidente da Sinic Holdings Group, Zhang Yuanlin, viu seu patrimônio líquido derreter de US$ 1,3 bilhão para US$ 250,7 milhões na manhã desta segunda-feira, 20, em razão desse cenário de incertezas. De acordo com a revista Forbes, a Sinic Holdings Group teve de paralisar suas operações na bolsa de valores de Hong Kong após registrar queda de 87% no preço de seus papéis.

Quem é, então, a empresa capaz de assustar profissionais habituados com o mercado financeiro? A Revista Oeste explica.

História

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A Evergrande foi fundada em 1996 pelo empresário Xu Jiayin, que já foi considerado o homem mais rico da China. Atualmente, o criador da empresa com sede em Guangzhou ocupa o décimo lugar na lista de bilionários chineses.

De 2000 até 2010, a companhia registrou crescimento contínuo de dois dígitos ao ano, segundo o jornal Valor Econômico. Nessa época, a Evergrande ainda não possuía a infraestrutura que posteriormente a consagrou como um gigante do setor imobiliário.

A partir dos altos índices de crescimento, a empresa aumentou sua produtividade e passou a lançar conjuntos imobiliários de alto padrão. Muitos desses empreendimentos, construídos em cidades-fantasmas, levantaram dúvidas sobre uma possível onda de especulação imobiliária. Desde aquela época, o regime chinês se preparava para atender à demanda da população, que, mais tarde, migraria do campo para as cidades.

Com o acelerado processo de urbanização da China, a Evergrande expandiu suas atividades. A primeira oferta publica de ações da companhia aconteceu em 2009, quando lançou papéis na bolsa de valores de Hong Kong. Como resultado, a incorporadora levantou mais de US$ 720 milhões.

Leia mais: “Cem anos de opressão”, reportagem de Dagomir Marquezi publicada na Edição 67 da Revista Oeste

Futebol, a vitrine

O rápido crescimento motivou a Evergrande a diversificar seus negócios, de maneira a rentabilizar em setores inicialmente distantes do projeto inicial da companhia.

A iniciativa mais ousada da empresa foi a compra do Guangzhou Football Club, em 2010. A equipe, fundada em 1954, passou a chamar Guangzhou Evergrande, assimilando o nome de seu acionista majoritário, que adquiriu o clube após seu rebaixamento para a segunda divisão do futebol do país. Na ocasião, o time desceu de patamar em virtude de um escândalo de manipulação de resultados orquestrada por seus antigos dirigentes.

Atletas de nível internacional, como Robinho e Paulinho, passaram pelo maior campeão chinês da história. Elkeson, atacante que iniciou a carreira no Vitória, da Bahia, consagrou-se artilheiro do campeonato local em várias temporadas. Posteriormente, naturalizou-se chinês para defender a seleção do país.

No Brasil, Elkeson. Na China, Ai Kesen | Foto: Reprodução/Mídias sociais

Atualmente, o clube é treinado pelo ex-zagueiro da seleção italiana Fabio Cannavaro, considerado o melhor jogador do mundo em 2006. Luiz Felipe Scolari, técnico pentacampeão mundial com a Seleção Brasileira, também passou pelo Evergrande e conquistou três ligas nacionais.

Além dos campos

A Evergrande também investiu bilhões em carros elétricos e parques temáticos. Aventurou-se ainda no ramo dos seguros, comprou parte de um banco e ingressou no mercado de mídia, especificamente na indústria fonográfica. Apostou, ademais, na indústria alimentícia.

A empresa nadava de braçada, chegando a figurar como a maior incorporadora do mundo em valor de mercado. Em 2021, apareceu na lista Fortune Global 500 como o 122º conglomerado do mundo em termos de receita.

Contudo, o Partido Comunista Chinês (PCC) impôs, em abril deste ano, a política de Três Linhas Vermelhas, que consiste na intervenção direta do governo no setor imobiliário.

Na prática, a medida determina que as companhias tenham, no máximo, 70% de passivos em relação aos ativos. Estabelece ainda que a dívida líquida das empresas esteja limitada a 100% de seu patrimônio líquido. Por fim, define que as operadoras devem ter liquidez superior às obrigações de curto prazo.

A decisão atingiu em cheio os gigantes do setor, e a Evergrande não foi poupada. Pequim salientou que não impediria as empresas locais de entrar em default ou decretar falência.

Leia também: “O jogo do gigante”, reportagem de Cristyan Costa publicada na Edição 58 da Revista Oeste

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