O Peru realiza eleições gerais neste domingo, 12, para escolher o novo presidente — o vencedor será o nono a ocupar o cargo em apenas dez anos. Desde 2016, nenhum chefe de Estado conseguiu completar o mandato de cinco anos, em meio a sucessivas crises políticas, muitas delas associadas a escândalos de corrupção.
A disputa reúne um número recorde de candidatos: são 35 postulantes à Presidência e 70 à Vice-Presidência, já que cada chapa conta com dois vices. Cerca de 27 milhões de eleitores estão aptos a votar. As seções eleitorais abrem às 7h no horário local (9h em Brasília).
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Se nenhum candidato atingir mais de 50% dos votos válidos, haverá segundo turno, marcado para 7 de junho. Além do presidente, os peruanos escolherão representantes para o Legislativo e organismos regionais: 130 deputados, senadores e cinco membros do Parlamento Andino.
Pesquisa do instituto Ipsos, encomendada pelo jornal Peru 21 e divulgada na última segunda-feira, 6, aponta a candidata conservadora Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1938–2024), na liderança das intenções de voto, com 15%.
Atual presidente do Peru deixa o cargo no final de julho
O país é governado interinamente pelo marxista José María Balcázar, que permanece no cargo até 28 de julho, data da posse do eleito. Ele assumiu depois da destituição de José Jerí, aprovada pelo Congresso em 17 de fevereiro.
A queda foi motivada por reuniões não declaradas com empresários chineses, o que levantou suspeitas de tráfico de influência. A oposição alegou falta de transparência nos encontros, realizados fora da agenda oficial, muitas vezes em restaurantes e lojas de Lima, inclusive durante a madrugada.
O episódio ficou conhecido como “Chifagate”, em referência à culinária “chifa”, que mistura elementos peruanos e chineses. Jerí permaneceu no cargo por apenas 130 dias.

Desde a queda de Alberto Fujimori, em 2000 — quando o Congresso rejeitou sua renúncia enviada do Japão —, o Peru enfrenta recorrentes crises institucionais. Depois de um período de transição com Valentín Paniagua, apenas três presidentes conseguiram completar seus mandatos: Alejandro Toledo, Alan García e Ollanta Humala.
A partir de 2016, a instabilidade se agravou, com sucessivas destituições e renúncias em curto intervalo. Um dos casos mais emblemáticos foi o de Manuel Merino, que permaneceu no cargo por apenas cinco dias em 2020.
Entre 2016 e 2026, o país registrou a queda de seis presidentes — média de uma destituição a cada 1,7 ano, uma evidência de fragilidade e de instabilidade persistente do sistema político peruano.






































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