Controlada pelo governo russo, a Gazprom, uma das maiores empresas de gás natural do mundo, anunciou nesta segunda-feira, 25, que está desacelerando outra turbina no Gasoduto Nord Stream 1 para a Alemanha e que os fluxos de gás cairão para o equivalente a apenas um quinto da capacidade normal.
O novo golpe no fornecimento ocorre em um momento de alta tensão, em que a Alemanha está à beira da recessão e os países europeus estão preocupados com os atuais gastos energéticos de armazenamento para o inverno.
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A União Europeia acusou a Rússia de recorrer à chantagem energética, enquanto o Kremlin diz que a interrupção do gás foi causada por problemas de manutenção e efeito das sanções ocidentais.
De acordo com a Agência Reuters, no anúncio desta segunda-feira, a Gazprom disse que estava interrompendo a operação de outra turbina a gás da Siemens, na estação de compressão de Portovaya, do Gasoduto Nord Stream 1, levando em consideração a condição técnica do motor.
Com isso, conforme a estatal, a partir das 4 horas da quarta-feira, 27, o fornecimento cairá para 33 milhões de metros cúbicos por dia. Isso é apenas metade dos fluxos atuais, já com apenas 40% da capacidade normal. A Alemanha foi forçada, na semana passada, a resgatar a Uniper, sua maior empresa importadora de gás da Rússia.
Lenta chegada da turbina
De acordo com a Reuters, a Gazprom já havia se manifestado nesta segunda-feira sobre “lenta jornada” de retorno de uma das turbinas do Gasoduto Nord Stream 1. O equipamento foi levado ao Canadá, para reparos pela Siemens Energy, e até agora não retornou.
Em princípio, a turbina havia ficado retida, como sanção do país norte-americano à Rússia. Porém, em 10 de julho, o governo de Trudeau autorizou o retorno. A retenção da turbina, segundo a Gazprom, levou à redução de 40% do fluxo diário do produto.
A Gazprom disse ter recebido e analisado documentos da Siemens. “Depois de estudar os documentos, a Gazprom teve de concluir que eles não eliminam os riscos previamente identificados e levantam questões adicionais”, disse. A estatal cita “questões em aberto da Gazprom sobre as sanções da União Europeia e do Reino Unido”.
Políticos na Europa alertaram repetidamente que a Rússia poderia cortar os fluxos de gás neste inverno, o que poderia levar a uma disparada de preços em todos os países do bloco e a uma recessão na Alemanha.
O governo russo nega que esteja tentando usar os vastos recursos energéticos para chantagear a UE, que, junto com os Estados Unidos e outras nações ocidentais, impôs ondas de sanções a Moscou desde que enviou tropas para a Ucrânia em 24 de fevereiro.
O presidente Vladimir Putin afirmou, neste mês, que as sanções contínuas podem provocar “aumentos catastróficos” nos preços da energia para os consumidores em todo o mundo.
A Rússia é o segundo maior exportador de petróleo do mundo depois da Arábia Saudita e o maior exportador mundial de gás natural. A Europa importa cerca de 40% de seu gás e 30% de seu petróleo da Rússia.
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Fantástico tiro no pé que boa parte da Europa deu…