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Filho de ex-ditador assume presidência das Filipinas

Ferdinand Marcos Jr. foi empossado 36 anos depois da revolta popular que derrubou seu pai do poder

Ferdinand Marcos Jr.
| Foto: Reprodução/Flickr

O filho do ex-ditador Ferdinand Marcos foi empossado como o 17º presidente das Filipinas nesta quinta-feira, 30. O acontecimento marca a restauração de uma das dinastias políticas mais polêmicas do país asiático. O governo de Ferdinand Marcos foi marcado pela corrupção e abuso de poder. A ex-primeira dama, Imelda Marcos, ficou mundialmente famosa por ter declarado possuir três mil pares de sapatos. O casal Marcos foi registrado no livro de recordes Guiness como os responsáveis pelo “maior roubo de governo”

Conhecido pelo apelido “Bongbong”, Marcos Jr, de 64 anos de idade, sucedeu o ex-presidente Rodrigo Duterte, depois de vencer a eleição do mês passado. A vitória foi esmagadora: com mais de 90% das urnas apuradas, o novo chefe de estado derrotou por maioria o liberal Leni Robredo, com mais de 58% dos votos expressos.

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Durante a cerimônia de posse no museu nacional de Manila, a capital do país, o novo comandante das Filipinas elogiou o trabalho do pai, que governou entre 1965 até 1986 até a sua deposição por meio de uma revolta popular. Além de ter derrubado Ferdinand Marcos do poder, a rebelião obrigou o ex-ditador a fugir para o exílio nos EUA. Ele morreu três anos depois.

“Uma vez conheci um homem que viu o pouco que havia sido alcançado desde a independência. Em uma terra de pessoas com o maior potencial de realização, e ainda assim eram pobres. Mas ele conseguiu. Às vezes com apoio necessário, às vezes sem. Assim será com o filho dele – vocês não terão desculpas de mim”, afirmou Bongbong em discurso.

30 mil civis mortos

O novo governo assume depois de seis anos de uma política autoritária do ex-presidente Rodrigo Duterte, que ficou conhecido por praticar crimes contra a humanidade nas Filipinas. O déspota subiu ao poder prometendo uma repressão impiedosa contra o tráfico e consumo de drogas. Desde sua eleição em 2016, estima-se que entre 12.000 e 30.000 civis foram mortos em operações, segundo dados citados pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), responsável por julgar indivíduos acusados de grandes violações de direitos humanos.

O ex-presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte
O ex-presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte
Foto: KARL NORMAN ALONZO/PPD

“Muitas famílias não puderam sequer relatar as mortes e os assassinatos por medo de represálias, e há documentos em que os familiares seriam abordados e detidos para garantir que fossem devidamente avisados”, afirmou Judy Pasimio, porta-voz do grupo Movimento em Defesa dos Direitos Humanos e Dignidade (iDefend). Quem assume a vice-presidência é a filha do ex-presidente, Sara Duterte-Carpio, de 43 anos de idade.

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1 comentário
  1. Renata Thomaz
    Renata Thomaz

    Quer dizer que além, do filho do déspota se eleger a filha do outro déspota é vice-presidente???? O povo continuará na lama….

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