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França, Alemanha e Suíça suspendem voos para Venezuela

Companhias aéreas em cerca de 8 nações restringiram viagens ao país, comandado por Nicolás Maduro

Aeroporto Caracas Venezuela voos cancelados
Condições de segurança no espaço aéreo venezuelano não estão garantidas | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Companhias aéreas da Suíça, da França e da Alemanha suspenderam voos para a Venezuela depois de um alerta emitido pela Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) sobre riscos de segurança. Brasil, Colômbia, Portugal, Espanha já haviam anunciado restrições nos dias anteriores.

O governo da Suíça recomendou que seus cidadãos evitem viagens não essenciais à Venezuela. O Departamento Federal de Assuntos Estrangeiros advertiu, na última quarta-feira, 26, que voos podem ser suspensos sem aviso prévio e que a assistência consular ficará limitada. “A embaixada poderá ter capacidade muito limitada para apoiar cidadãos” em caso de crise, destacou a autoridade suíça.

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Em nota, o órgão classificou a situação como “muito tensa” e sujeita a piora repentina, com riscos de bloqueios, cortes de comunicação, aumento de controles e possibilidade de decretos emergenciais que fechem fronteiras e o espaço aéreo. O comunicado alertou para altos índices de criminalidade, falta de garantias jurídicas para estrangeiros e possibilidade de detenções arbitrárias e interrogatórios sem proteção legal.

As recomendações da Suíça coincidem com restrições semelhantes de países aliados dos EUA, como Reino Unido e Coreia do Sul, que alertaram para riscos de colapso de serviços, aumento da violência e instabilidade política na Venezuela. A França e a Alemanha também desaconselharam viagens ao país nesta semana, diante do aumento da pressão militar dos EUA no Caribe.

O governo francês orientou que todas as viagens sejam adiadas e informou sobre riscos de falta de energia, água e combustível, especialmente fora da capital, Caracas. Aos cidadãos franceses em solo venezuelano, o governo, liderado por Emmanuel Macron, recomendou evitar manifestações políticas e portar sempre o passaporte com a devida autorização de permanência.

Já a Alemanha lembrou do decreto de estado de exceção assinado pelo ditador Nicolás Maduro em setembro, que permite mobilização das Forças Armadas e ocupação de serviços essenciais em caso de agressão militar. O governo alemão frisou que o decreto inclui o fechamento de fronteiras e espaço aéreo, descrevendo o cenário como “tenso” e suscetível a escaladas repentinas.

Nicolás Maduro Cartel de los Soles Venezuela
Nicolás Maduro é ditador da Venezuela desde 2013 | Foto: Reprodução/Instagram Nicolás Maduro

As autoridades alemãs também destacaram o elevado índice de crimes violentos, aumento da pobreza e risco de prisão de estrangeiros sob suspeita de “apoiar o terrorismo”. Recomendaram que cidadãos evitem manifestações e não fotografem forças de segurança nem instalações militares.

Brasil, Portugal e Espanha também suspenderam operações

A brasileira Gol, a colombiana Avianca e a portuguesa TAP Air Portugal anunciaram a suspensão no último sábado, 22, de acordo com informações do portal Flightradar24 e do site do Aeroporto Internacional Simón Bolívar Maiquetía. A Aeronáutica Civil da Colômbia destacou em nota que existem “riscos potenciais” para voos na área de Maiquetía e citou a deterioração das condições de segurança e o aumento das atividades militares.

Já a espanhola Iberia informou a suspensão de voos para Caracas a partir da última segunda-feira, 24, até novo aviso. “A empresa avaliará a situação para decidir quando retomar os voos para aquele país”, afirmou um porta-voz da companhia à agência Reuters.

O ministro das Relações Exteriores de Portugal, Paulo Rangel, declarou nesta quinta-feira, 27, que “seria totalmente irresponsável” manter voos da TAP Air para a Venezuela diante do alerta da autoridade aeronáutica dos EUA. “Estes voos tinham mesmo que ser adiados, não há outra maneira”, explicou a jornalistas.

Regime da Venezuela reage a cancelamentos de voos

O alerta da FAA referiu-se à deterioração da segurança e ao aumento da presença militar em torno da Venezuela, o que sinaliza risco para aeronaves em todas as altitudes. Nos últimos meses, a região registrou reforço militar norte-americano, com o envio do maior porta-aviões da Marinha dos EUA, pelo menos oito navios de guerra e caças F-35.

Washington intensificou sua presença naval para interceptar embarcações ligadas ao narcotráfico e ao Cartel de los Soles, grupo classificado pelos EUA como organização terrorista e associado a membros do governo Maduro — acusações rejeitadas por Caracas. O presidente Donald Trump anunciou, nesta quinta-feira, que uma ofensiva terrestre pode acontecer “muito em breve”.

Em comunicado, a autoridade de aviação da Venezuela acusou as companhias aéreas de aderirem a “ações de terrorismo de Estado promovidas pelos Estados Unidos” ao suspender voos “unilateralmente” e afirmou que o alerta norte-americano não tem validade no espaço aéreo venezuelano. Diante da recusa das companhias em retomar voos, o regime chavista revogou as licenças de seis companhias, entre elas Gol e Latam.

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