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Fuga de 1,5 mil presos do Estado Islâmico intensifica disputa na Síria

Presídio na cidade de al-Shaddadi estava sob administração de forças curdas, que desempenham papel central no cenário do país

Pessoas agitam bandeira adotada pelos novos governantes da Síria
Pessoas agitam a bandeira adotada pelos novos governantes sírios, depois que rebeldes depuseram Bashar al-Assad, em Aleppo, Síria, em 13 de dezembro de 2024 | Foto: Reuters/Karam al-Masri

Uma fuga em massa de cerca de 1,5 mil integrantes do Estado Islâmico foi registrada na prisão da cidade de al-Shaddadi, localizada na província de Hasakah, no leste da Síria. A agência Rudaw reportou a notícia nesta segunda-feira, 19.

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O presídio estava sob administração de forças curdas, que desempenham papel central no cenário do país. O porta-voz das Forças Democráticas Sírias (FDS), aliança militar formada majoritariamente por curdos e antiga parceira dos Estados Unidos no combate ao Estado Islâmico, confirmou a evasão.

Por sua vez, o Exército sírio já havia reconhecido a fuga, mas sem detalhar a quantidade de fugitivos, atribuindo a responsabilidade às FDS.

Disputas na Síria e versões sobre a fuga

Em vermelho, localização da cidade de al-Shaddadi, na Síria | Foto: Reprodução/Google Maps

De acordo com a versão das FDS, ataques realizados por tropas do governo sírio fizeram com que o controle do presídio fosse perdido. Damasco, no entanto, rejeita ter atacado a instalação e declara que age para restaurar a segurança local e recapturar os detentos fugitivos.

O incidente ocorre em um contexto de reconfiguração territorial na Síria. Nos últimos dias, forças curdas iniciaram a retirada de zonas do norte e leste do país, em cumprimento a um acordo de cessar-fogo com o governo sírio, o que encerra anos de domínio curdo nessas áreas.

Leia mais: “Pérsia livre!”, artigo de Rodrigo Constantino publicado na Edição 305 da Revista Oeste

Entre as regiões afetadas estão as províncias de Raqqa e Deir al-Zor, territórios de maioria árabe e que concentram os principais campos de petróleo do país. Depois da saída das FDS, jornalistas da Reuters relataram a presença de tropas governamentais que assumiram o controle desses locais.

Transferência de controle e impasses nas negociações

Pelo pacto firmado, os curdos consentiram em transferir para o governo sírio o comando de prisões com integrantes do Estado Islâmico, além de campos de petróleo, gás e postos de fronteira. Há meses, esses pontos eram motivo de disputa entre as partes.

Segundo as próprias FDS, a prisão da cidade de al-Shaddadi figurava entre os principais centros de detenção de terroristas sob sua custódia. Milhares de terroristas do Estado Islâmico são encarcerados no local.

Leia também: “Rios de sangue”, artigo de Miriam Sanger publicado na Edição 305 da Revista Oeste

Esse novo episódio ocorre em meio a negociações difíceis entre a liderança curda e o governo da Síria. O diálogo enfrenta impasses, já que Damasco exige a incorporação individual dos combatentes curdos às Forças Armadas, enquanto as FDS defendem a manutenção de suas unidades próprias.

A gestão síria busca ampliar o controle nacional depois da saída de Bashar al-Assad, no final de 2024. A tentativa é de restabelecer a autoridade em todo o território.

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