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Hospital no Irã recebe mais de 400 pacientes feridos na cabeça e nos olhos

Os ferimentos, segundo os médicos, indicam um padrão de violência policial contra os manifestantes

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Manifestantes se reúnem enquanto veículos queimam, em meio à crescente onda de protestos antigovernamentais em Teerã, capital do Irã — 9/1/2026 | Foto: Reprodução/Redes sociais/Via Reuters

Em entrevistas ao jornal britânico The Guardian, três médicos do Irã afirmaram, na última segunda-feira, 12, que hospitais e prontos-socorros estavam tomados por manifestantes baleados, com lesões concentradas sobretudo na cabeça e nos olhos — um padrão semelhante ao registrado durante as grandes manifestações de 2022, segundo entidades de direitos humanos.

Um oftalmologista em Teerã contabilizou mais de 400 casos de ferimentos oculares provocados por disparos de arma de fogo em um único hospital, em meio ao agravamento da repressão do regime iraniano contra protestos que se espalham pelo país. Profissionais de saúde relatam superlotação, falta de recursos e dificuldades para atender o volume de feridos.

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As forças de segurança estão “deliberadamente” atirando na cabeça e nos olhos, disse um médico de Teerã. “Eles querem danificar a cabeça e os olhos para que as pessoas não consigam mais enxergar, a mesma coisa que fizeram em 2022”. Diversos pacientes precisaram ter os olhos removidos e perderam a visão.

Os protestos começaram em 28 de dezembro, diante de uma desvalorização histórica da moeda iraniana, e evoluíram para a maior manifestação popular contra o regime desde 2009. Todas as noites, dezenas de milhares de pessoas saem às ruas em várias cidades, entoando gritos como “morte ao ditador”, em referência ao líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

Diante da escalada, o regime bloqueou, desde a última quinta-feira, 8, o acesso à internet e à telefonia móvel em todo o país. Organizações de direitos humanos afirmam que o apagão de comunicações tem sido usado para encobrir uma repressão violenta.

De acordo com a Human Rights Activists News Agency (HRANA), ao menos duas mil pessoas morreram desde o início dos protestos — mais de 90% delas manifestantes — e cerca de 16,7 mil foram presas. O número de mortos já é quatro vezes maior do que o registrado nos protestos de 2022, desencadeados pela morte da estudante Mahsa Amini.

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Protestos no Irã | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Médicos ouvidos pelo The Guardian dizem acreditar que o total de vítimas fatais seja superior ao divulgado oficialmente. Eles relatam um aumento expressivo de feridos nos hospitais logo depois do bloqueio da internet.

Na noite desta terça-feira, 13, a emissora norte-americana CBS informou, citando fontes dentro e fora do Irã, que o número de mortos pode chegar a 12 mil, com estimativas que variam até 20 mil. Já o portal Axios afirma que serviços de inteligência de Israel calculam cerca de cinco mil mortos.

“A situação lembra filmes de guerra, com soldados sendo atendidos em campo aberto”, disse um médico ouvido pelo jornal britânico. “Falta sangue, faltam insumos médicos. Parece uma zona de guerra.” Outro profissional relatou que, por falta de leitos, pacientes feridos precisaram ser atendidos do lado de fora dos hospitais, sob “temperaturas congelantes”.

Os profissionais afirmam que o bloqueio das comunicações dificultou a coordenação entre equipes médicas e serviços de emergência. O tipo de lesão observado reforça a suspeita de que as forças de segurança estejam mirando deliberadamente os olhos dos manifestantes, acusação apoiada por organizações de direitos humanos.

Há registros do uso de espingardas com cartuchos de chumbo metálico e de fuzis com munição real. Relatos indicam ainda que agentes de segurança entram periodicamente nos hospitais para prender manifestantes feridos.

“Meus colegas estão angustiados, exaustos e horrorizados. Muitos choram durante o trabalho”, afirmou um médico, acrescentando que um colega foi baleado a caminho do hospital. “Os olhos foram atingidos por chumbinho de espingarda de forma deliberada. Estão atirando para matar. Um colega contou que retirou cerca de 20 projéteis do corpo de um único manifestante.”

Protestos no Irã reuniram milhares de pessoas na capital, Teerã, e em outras cidades | Foto: Reprodução/X
Protestos no Irã reuniram milhares de pessoas na capital, Teerã, e em outras cidades | Foto: Reprodução/X

Há também registros de disparos contra os genitais. Segundo o Abdorrahman Boroumand Center for Human Rights, ao menos uma jovem está em estado crítico depois de ser atingida na região pélvica.

Um porta-voz da entidade afirmou ao The Guardian que “as evidências indicam que, mesmo com armas consideradas ‘menos letais’, a República Islâmica mira deliberadamente órgãos vitais, transformando esses instrumentos em meios de mutilação sistemática e incapacidade permanente para intimidar a população”.

Regime do Irã culpa manifestantes por violência

O regime iraniano atribui a violência aos manifestantes. Autoridades divulgaram vídeos que, segundo elas, mostram sabotadores estrangeiros e cenas de agressões contra policiais, além de ataques atribuídos a um grupo militante sunita que resultaram na morte de um chefe de polícia e na depredação de mesquitas.

De acordo com a HRANA, ao menos 135 pessoas ligadas ao governo morreram durante os protestos. Manifestantes, porém, afirmam que as forças de segurança reprimiram atos pacíficos.

“Estávamos apenas gritando ‘Javid Shah’ [vida longa ao rei] quando pessoas à paisana se infiltraram e atiraram à queima-roupa, pelas costas, diretamente na cabeça das pessoas”, relatou um jovem de 20 anos. “Fugimos sem saber o que aconteceu com os mortos.”

Vídeos enviados por ativistas ao The Guardian mostram um manifestante caído no chão, com sangue saindo pela boca, depois de uma repressão na cidade de Fardis, na província de Alborz, a oeste de Teerã. Em uma das gravações, uma pessoa pede ajuda enquanto o homem permanece imóvel.

Apesar da repressão, os protestos chegaram ao 17º dia, com milhares de pessoas nas ruas todas as noites. Médicos alertam, no entanto, que a dimensão da violência ainda não é plenamente conhecida fora do país.

“As imagens e os dados divulgados pela mídia internacional não representam nem 1% da realidade, porque a informação simplesmente não chega”, afirmou, na segunda-feira, um médico que deixou o Irã, em depoimento ao Center for Human Rights in Iran, nos Estados Unidos. “Foi uma situação de múltiplas vítimas. Nossas instalações e o número de profissionais estavam muito abaixo da demanda imposta pela quantidade de feridos.”

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1 comentário
  1. FLAVIO AUGUSTO ROSSI
    FLAVIO AUGUSTO ROSSI

    JÁ TINHA VISTO TODOS OS TIPOS DE ABSURDOS , MAS MANDAR MATAR CRIANÇAS E CEGAR MANIFESTANTES ISSO TRANSCENDE O
    FANATISMO E A LOUCURA !
    A COISA JÁ ESTÁ TOMANDO ARES DE GENOCÍDIO….
    MAS O NINE DESAPROVOU NÉ ….

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