O Irã e os Estados Unidos rejeitaram, nesta segunda-feira, 6, a proposta de cessar-fogo imediato mediada pelo Paquistão. O plano previa uma trégua imediata, seguida de negociações para um acordo mais amplo a ser concluído em até 20 dias.
As tratativas envolveram contatos intensos durante a madrugada desta segunda-feira entre o chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, o enviado especial norte-americano Steve Witkoff e o chanceler iraniano Abbas Araqchi.
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O regime iraniano, segundo a agência Reuters, afirmou que busca um “fim duradouro” para o conflito com EUA e Israel. Segundo a agência estatal iraniana Irna, Teerã respondeu ao plano com um documento de dez pontos que exige o encerramento permanente das hostilidades, a suspensão de sanções e a reconstrução do país.

Apesar de classificar a proposta iraniana como “significativa”, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou os termos e manteve o ultimato para que o Irã aceite um acordo até a noite desta terça-feira, 7, sob pena de novos ataques. “Não é suficiente”, disse Trump sobre o plano de Islamabad, durante evento na Casa Branca.
O republicano tem ameaçado ampliar bombardeios contra a infraestrutura energética e de transporte iraniana caso Teerã não reabra o Estreito de Ormuz, rota por onde passam cerca de 20% do petróleo e gás consumidos globalmente.
O estreito foi praticamente fechado pelo Irã em fevereiro, em resposta aos ataques de Washington e Tel-Aviv, e se tornou um dos principais instrumentos de pressão do regime iraniano nas negociações. Teerã sinaliza resistência em reabrir a via sem garantias de um acordo definitivo.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, afirmou que as exigências do país não devem ser vistas como concessões, mas como demonstração de confiança. Ele também criticou propostas anteriores dos EUA, classificadas como “excessivas”.
Israel atacou complexo petroquímico do Irã nesta segunda-feira
Enquanto a diplomacia avança lentamente, o conflito segue em escalada. Novos bombardeios foram registrados na região nesta segunda-feira. Israel atingiu bases da Força Aérea iraniana e ameaçou destruir infraestrutura estratégica do país. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, declarou que o governo continuará a perseguir líderes iranianos “um a um”.
Teerã confirmou ataques a dois complexos petroquímicos, incluindo instalações em South Pars, um dos principais polos energéticos do país. Um incêndio foi controlado, sem registro de vítimas. Já a mídia estatal iraniana informou a morte de Majid Khademi, chefe de inteligência da Guarda Revolucionária, em ataque atribuído a Israel.
Também foram relatados danos a um centro de dados da Universidade de Tecnologia Sharif, em Teerã, atingido por bombardeios que afetaram sistemas ligados à plataforma nacional de inteligência artificial.

Do lado iraniano, ataques com mísseis e drones atingiram alvos ligados a Israel no Golfo e no próprio território israelense. Em Haifa, um míssil destruiu um prédio e matou quatro pessoas, elevando para 23 o número de mortos no país. Segundo o Exército israelense, houve ao menos 25 lançamentos de foguetes ao longo do dia, incluindo disparos a partir do Líbano e do Irã.
O conflito já deixou ao menos 3,54 mil mortos no Irã, incluindo 244 crianças, de acordo com a organização Human Rights Activists in Iran. No Líbano, onde Israel intensificou operações contra o grupo terrorista Hezbollah, autoridades locais relatam 1,46 mil mortos. Treze militares norte-americanos morreram e centenas ficaram feridos.
A guerra também tem impacto direto na economia global. O petróleo Brent subia nesta segunda-feira, em reflexo da incerteza sobre o fornecimento energético. Autoridades regionais ressaltam que qualquer acordo deverá garantir a livre navegação no Estreito de Ormuz e conter o programa nuclear iraniano, sob risco de aprofundar a instabilidade no Oriente Médio.






































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