Uma rede informal de médicos divulgou um levantamento recente que estima a morte de mais de 33 mil pessoas durante a repressão aos protestos que se espalharam pelo Irã desde o fim de 2025. O grupo reúne profissionais que atuam anonimamente. Ele repassa informações por canais seguros, diante do bloqueio de comunicações imposto pelo governo do ditador Ali Khamenei, que ocupa o cargo de Líder Supremo desde 1989.
Os médicos consultam registros hospitalares, relatos de equipes de emergência e dados de centros forenses para reconstruir o cenário da violência. Segundo eles, o número oficial divulgado pelo regime — cerca de 3 mil mortes — “não reflete a realidade do que ocorre nas ruas”, diz um cirurgião que integra a rede e falou à imprensa internacional em anonimato.
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Irã: médicos confirmam uso de armas letais
Especialistas que acompanham a situação afirmam principalmente que o padrão das lesões nos feridos reforça indícios de uso de munição letal contra civis desarmados. Há relatos recorrentes de tiros a curta distância e sobretudo de ferimentos incompatíveis com armas de menor potencial ofensivo. “A repressão tem características de operação militar, não de controle de tumulto”, disse à mídia um pesquisador de direitos humanos.
Além das mortes, organizações independentes documentam episódios de retirada forçada de pacientes de hospitais. Há ainda a transferência de feridos para instalações sob controle de forças de segurança. Médicos relatam que muitos manifestantes evitam buscar atendimento por medo de prisão imediata e ações terroristas.
Leia também: “Como a República Islâmica aterrorizou o Irã – e o mundo”, reportagem publicada na Edição 306 da Revista Oeste
As discrepâncias entre números oficiais da ditadura local, estimativas independentes e denúncias de ocultação de cadáveres ampliam assim a pressão internacional sobre o governo iraniano. Diplomatas e entidades humanitárias apontam que o país enfrenta desse modo uma das maiores crises de direitos humanos de sua história recente.
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