O aumento da presença militar dos Estados Unidos no Oriente Médio coincide com um movimento do Irã para reforçar sua preparação militar, incluindo a reconstrução de bases de mísseis e o fortalecimento de instalações nucleares. Enquanto diplomatas iranianos e norte-americanos mantiveram um diálogo indireto por três horas e meia em Genebra, o encontro terminou sem um acordo definitivo.
Abbas Araghchi, principal negociador iraniano, destacou a concordância sobre “princípios orientadores”, mas J. D. Vance, vice-presidente dos EUA, afirmou que os iranianos não aceitaram as “linhas vermelhas” estabelecidas pelo presidente Donald Trump.
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Mesmo diante das negociações, a Casa Branca foi informada de que as Forças Armadas norte-americanas poderiam lançar um ataque até o fim de semana, depois do reforço de equipamentos militares na região. Nos últimos meses, o Irã reparou suas bases aéreas atingidas e nomeou veteranos de guerra para cargos de segurança, além de intensificar exercícios militares no Golfo Pérsico e reprimir protestos internos.
Reconstrução e fortalecimento das bases militares do Irã
O confronto entre Israel e Irã em junho de 2025 resultou em danos severos à infraestrutura militar iraniana, incluindo instalações nucleares e bases de mísseis, e na morte de importantes comandantes. Em resposta, o Irã lançou centenas de mísseis e drones contra cidades israelenses, enquanto os EUA atacaram três instalações nucleares iranianas. Donald Trump declarou que essas estruturas foram “totalmente obliteradas”. Apesar das perdas, imagens de satélite mostram que o Irã já reconstruiu parte dessas bases de mísseis.
Na Base de Mísseis Imam Ali, em Khorramabad, registros de 5 de janeiro revelam que três das 12 estruturas destruídas por Israel foram reconstruídas, uma foi reparada e outras três estão em construção. O local é estratégico para o lançamento de mísseis balísticos, e há movimentação de obras de terraplenagem. Outras bases, como a de Tabriz e uma instalação ao norte da cidade, também passaram por grandes reparos, com pistas e túneis reabertos, segundo análise da CNN e do pesquisador Sam Lair, do CNS.
Na Base Aérea de Hamadan, no oeste do país, crateras provocadas por bombas foram preenchidas e abrigos de aeronaves, restaurados. O Irã também reergueu rapidamente a maior e mais moderna instalação de produção de mísseis de combustível sólido em Shahrud, tecnologia que permite lançar mísseis de longo alcance com maior agilidade.
Fortificações nucleares e descentralização do comando
O Irã também reforça suas instalações nucleares, segundo o Instituto para Ciência e Segurança Internacional (Isis), com uso de concreto e terra para enterrar áreas estratégicas. Imagens de alta resolução de 10 de fevereiro de 2026 mostram a fortificação das entradas de túneis no complexo sob a Montanha Pickaxe, próximo a Natanz, com concreto novo e máquinas no local. Em “Taleghan 2”, dentro do complexo militar de Parchin, o país concluiu um sarcófago de concreto e o cobre com terra, visando à proteção contra ataques aéreos.
Repressão interna e demonstração de força militar
O Irã endureceu o controle interno depois de operações secretas israelenses terem aumentado a desconfiança do regime. No mês passado, forças de segurança reagiram com violência a protestos, resultando em milhares de mortos e muitos detidos, na repressão mais severa desde a fundação da República Islâmica. O governo acusou manifestantes de colaboração com Israel e mobilizou a milícia Basij, enquanto protestos motivados por dificuldades econômicas se transformaram em pedidos por mudança de regime. O clima de suspeita levou à prisão de quatro reformistas ligados ao presidente Masoud Pezeshkian, sob acusação de incitação e tentativa de minar a coesão nacional.
Durante as conversas diplomáticas, o Irã promoveu exercícios navais no Golfo Pérsico para exibir sua capacidade de dissuasão aos aliados dos EUA. Pela primeira vez, partes do Estreito de Ormuz foram bloqueadas temporariamente pela Guarda Revolucionária, de acordo com meios de comunicação iranianos. Essa rota estratégica responde por 20% da produção mundial de petróleo. O Irã já havia ameaçado fechar o estreito em momentos de tensão com o Ocidente, o que poderia impactar o mercado global de energia.
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