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Iranianos temem aumento da repressão no país

Receio é que o regime radical do Irã se volte ainda mais contra a população por causa do cessar-fogo de duas semanas

Protestos repressão Irã
Protestos de dezembro e janeiro tiveram forte repressão no Irã | Foto: RS/Fotos Públicas

Iranianos dentro e fora do país temem que o cessar-fogo de duas semanas interrompa o impulso para derrubar o regime islâmico e acabe fortalecendo as autoridades. Isto poderia resultar em repressão ainda maior. Integrantes da diáspora manifestaram tal preocupação em relatos para o The Jerusalem Post.

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Kako Aliyar, integrante do comitê de liderança do partido curdo iraniano de oposição Komala, deixou o Irã aos 16 anos e ingressou na oposição curda dois anos depois. Na avaliação dele, embora a guerra nunca seja algo desejável, não existe “alternativa viável” para remover o regime islâmico.

“A guerra inevitavelmente traz riscos para civis”, mas o mesmo ocorre com “assassinato, tortura e perseguição” praticados pelo regime contra sua própria população.

Ele também recorda que a oposição curda ao regime iraniano se estende por décadas. “Como povo curdo, nós nos opomos ao regime islâmico no Irã há quase cinco décadas, muitas vezes em isolamento e sem apoio externo.” O opositor completa:

“Por essa razão, qualquer enfraquecimento do regime geralmente é percebido positivamente entre nós”, afirma Aliyar. “Embora não tenhamos tido envolvimento direto na guerra atual, há um sentimento generalizado entre curdos e partidos políticos curdos de que, depois de quase meio século, talvez tenha chegado o momento de vivermos livremente e garantirmos nossos direitos legítimos dentro do Irã.”

Dados divulgados pela organização Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos Estados Unidos, revelam que 1.701 civis morreram em ataques realizados pelos EUA e por Israel. Já a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho declara que o total de mortos chegou a pelo menos 1,9 mil, com cerca de 20 mil feridos.

Aliyar ressalta que interromper a guerra antes de um desfecho claro pode acabar reforçando a confiança das autoridades iranianas. “Encerrar a guerra prematuramente poderia encorajar as autoridades iranianas, tornando-as mais repressivas e confiantes.”

Entre dezembro e janeiro últimos, protestos contra a falta de liberdade e a crise econômica foram reprimidos pelas forças de segurança do regime iraniano, incluindo Guarda Revolucionária (IRGC), polícia e milícias Basij. Organizações de direitos humanos relataram que pelo 7 mil pessoas morreram.

“Se o regime sair desse conflito tendo resistido à pressão dos EUA e de Israel, eles podem se tornar ainda mais confiantes e intensificar sua repressão interna”, observa o ativista. “Sem um resultado decisivo que inclua mudança política fundamental, há uma forte probabilidade de que o atual ciclo de violência e supressão continue, possivelmente com maior confiança.”

A jornalista investigativa persa-curda Truska Sadeghi avalia que a mobilização por mudanças políticas continuaria mesmo se a Operação Roaring Lion não tivesse começado. Ela lembra que protestos ocorridos em janeiro terminaram com milhares de mortos depois de repressão das forças de segurança do regime.

Alguns iranianos esperavam que o confronto com os EUA e Israel levasse à queda do regime. Até agora, porém, segundo Sadeghi, os resultados do conflito são limitados, e o cessar-fogo deixou a situação praticamente paralisada.

“Este cessar-fogo realmente não produziu resultados para nenhum dos lados. Ele deixou tudo em uma situação suspensa. De um lado, o urânio permanece intacto, o IRGC ainda existe e as autoridades iranianas continuam aumentando as execuções.”

“Por outro lado, os EUA não conseguiram remover esse urânio nem garantir compromissos do Irã para parar de desenvolver mísseis ou pressionar o Irã a parar de apoiar milícias na região. Como resultado, uma grande preocupação é uma pergunta repetida: qual foi o resultado de todo esse custo e conflito?”

Prisioneiros políticos no Irã

Sadeghi acrescenta que a morte do aiatolá Ali Khamenei, logo no primeiro dia de operações, trouxe poucas mudanças para a vida cotidiana no país. Cortes de internet continuam ocorrendo e execuções de prisioneiros políticos seguem sendo registradas, em violação ao Direito internacional.

Leia também: “A voz da liberdade”, reportagem de Eugenio Goussinsky publicada na Edição 309 da Revista Oeste

“Posso dizer que as pessoas estão experimentando um medo muito sério. Se tivessem a capacidade de se expressar livremente, elas mostrariam isso. As pessoas entendem que continuar sob esse regime pode ser muito perigoso e desastroso, e que a repressão pode aumentar por muitas razões.”

“Como jornalista, expresso minha visão pessoal de que a sobrevivência da República Islâmica provavelmente levará a uma pressão ainda maior sobre as pessoas dentro do país, sobre os partidos curdos baseados na região do Curdistão, ainda mais do que nos últimos três anos, e também pode se tornar mais perigosa para a estabilidade de países árabes.”

Na visão de Sadeghi, o próximo passo crucial seria que EUA e Israel deixassem claros seus objetivos no conflito. “Se o objetivo deles é mudança de regime, eles deveriam apoiar os atores que podem facilitar esse processo de maneira mais clara, para que o processo se torne muito mais fácil.”

“No entanto, deixar as coisas nesse tipo de cessar-fogo efetivamente significa abandonar e esquecer o povo, deixando-o a um destino perigoso sob uma repressão ainda mais dura do que antes.”

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