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Leão XIV pede 'respeito à vontade do povo venezuelano'

O papa citou o exemplo de venezuelanos canonizados em 2025 como o caminho para superar a 'grave crise que há muitos anos aflige o país'

Leão XIV pede 'respeito à vontade do povo venezuelano'
O papa comentou o atual cenário internacional em audiência com o Corpo Diplomático acreditado junto à Santa Sé | Foto: Reprodução/Vatican News

O papa Leão XIV discorreu sobre o cenário internacional, com destaque para a situação na Venezuela, em pronunciamento na manhã desta sexta-feira, 9. Em sua primeira audiência com o Corpo Diplomático acreditado junto à Santa Sé, ele fez um apelo “ao respeito pela vontade do povo venezuelano” e à defesa dos direitos humanos e civis no país.

O Corpo Diplomático reúne representantes de 184 países e organizações internacionais. No discurso, tradicionalmente marcado por análises geopolíticas, Leão XIV defendeu que uma sociedade “baseada na justiça, na verdade, na liberdade e na fraternidade” na Venezuela é o caminho para “superar a grave crise que há muitos anos aflige o país”.

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Para o papa, a reconstrução venezuelana rumo a “um futuro de estabilidade e concórdia” deve se inspirar nos exemplos de José Gregorio Hernández e da Irmã Carmen Rendiles, venezuelanos canonizados no ano passado.

O líder da Igreja Católica traçou paralelos entre o cenário atual e reflexões de Santo Agostinho na obra Cidade de Deus. Ele também alertou para “o enfraquecimento do multilateralismo” e a substituição da diplomacia do diálogo por uma “diplomacia da força”. Segundo ele, a banalização da guerra e a violação de fronteiras ameaçam o Estado de Direito e comprometem a paz internacional.

“Neste nosso tempo, preocupa particularmente a fragilidade do multilateralismo no plano internacional. Uma diplomacia que promove o diálogo e procura o consenso de todos está a ser substituída por uma diplomacia da força, de indivíduos ou de grupos de aliados”, disse o papa. “A guerra voltou a estar na moda e um fervor bélico está se alastrando. Foi quebrado o princípio, estabelecido após a Segunda Guerra Mundial, que proibia os países de recorrerem à força para violar fronteiras alheias.”

Leão XIV afirmou a centralidade da Organização das Nações Unidas na defesa dos direitos humanos fundamentais e condenou o envolvimento de civis em conflitos armados. Ele também manifestou preocupação com o desenvolvimento de uma nova linguagem, que, na tentativa de ser cada vez mais inclusiva, “acaba por excluir aqueles que não se adaptam às ideologias que a animam”.

Papa Leão XVI
Papa Leão XVI abençoa uma família na Praça São Pedro, no Vaticano | Foto: Divulgação/ Vaticano

Leão XIV menciona Guerra da Ucrânia e perseguições religiosas

Além da Venezuela, o papa citou conflitos e tensões na Ucrânia, na Terra Santa, no Haiti, em Mianmar e em países da África e defendeu cessar-fogos, soluções políticas e respeito às populações civis. Alertou ainda para os riscos representados pelos arsenais nucleares e pelo uso não ético da inteligência artificial.

O papa lamentou o crescimento da perseguição religiosa, especialmente contra cristãos, dos quais 380 milhões são alvo em todo o mundo. Países como Bangladesh, Nigéria, Síria e Moçambique foram destaque no discurso do pontífice, que também destacou uma forma sutil de discriminação a cristãos por razões políticas ou ideológicas na Europa e no continente americano, especialmente quando se defende a dignidade dos mais frágeis.

Nesta categoria, Leão XIV incluiu os migrantes. Ele pediu ações contra o tráfico de seres humanos e ilegalidades contra os detentos, além de renovar o pedido pela abolição da pena de morte. O papa também condenou o chamado “direito ao aborto seguro”.

Apesar do cenário descrito como dramático, Leão XIV concluiu em tom de esperança. A paz, afirmou, continua possível, desde que se baseie na “humildade da verdade e na coragem do perdão”. Citando São Francisco de Assis, desejou que o novo ano seja marcado por corações humildes e comprometidos com a construção da paz entre os povos.

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