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Macron e a soja

Sua última ideia a respeito do assunto é acabar com a “dependência” que a França teria da soja brasileira – indispensável para a sua produção de proteínas.
Presidente da França, Emanuel Macron desconhece agricultura brasileira | Foto: Reprodução
Presidente da França, Emanuel Macron desconhece agricultura brasileira | Foto: Reprodução | Macron

Por J.R. Guzzo

Publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo, em 17 de janeiro de 2021

Macron
Presidente da França, Emanuel Macron, desconhece agricultura brasileira | Foto: Reprodução

O presidente da França, Emmanuel Macron, não gosta do Brasil, nem dos brasileiros, nem do presidente que eles elegeram dois anos atrás. Mais do que qualquer outra coisa, Macron não gosta da agricultura e dos agricultores brasileiros; sempre faz questão, nos cinco minutos por ano em que pensa alguma coisa em relação ao Brasil, de repetir que a produção de soja por aqui (sem falar no milho, carne, frango e todo o resto) está destruindo a “floresta amazônica” e, com isso, tirando o oxigênio que a França, a Europa e o mundo precisam para respirar. Não há o que fazer a respeito: o homem não muda de ideia e não muda de assunto. Vai continuar assim.

O problema com esse tipo de noção é a sua absoluta falta de conexão com a realidade dos fatos. A Amazônia, como pode ser verificado em não mais que dez minutos de pesquisa básica, não tem nada a ver com a soja brasileira, nem com o milho ou com os demais grãos. Mais de 70% da produção brasileira vem de quatro Estados – Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás e Mato Grosso. O Mato Grosso ainda tem uma parte do seu território, apenas uma parte, na chamada “Amazônia Legal” – uma ficção burocrática que não tem nada a ver com a geografia, e sim com truques fiscais para se pagar menos imposto. Mas todo o restante da área cultivada está fora de lá – a maioria dos agricultores do Paraná, por sinal, provavelmente passa a vida inteira sem jamais botar os pés na Amazônia. Além disso, ninguém precisa derrubar uma única árvore para produzir – produzir mais a cada ano, aliás, ocupando o mesmo espaço de terra, por força da tecnologia e do aumento na produtividade.

Leia mais sobre o assunto no artigo de J.R. Guzzo, colunista da Revista Oeste — “Uma ‘fake news’ amazônica”

Macron, se tivesse algum interesse nas realidades, poderia perfeitamente saber disso tudo consultando um dos 5,5 milhões de funcionários públicos franceses que vivem à sua disposição; é impossível que ninguém saiba, nessa multidão toda, como se produz soja no Brasil. Também poderia perguntar sobre o assunto a uma das maiores e mais antigas empresas da própria França, a Louis Dreyfus, que trabalha no agronegócio brasileiro há 80 anos, tem 11 mil funcionários no Brasil e opera ativamente em toda a área rural, da soja à laranja, do café ao milho. Mas quem é que está interessado em coisas chatas e sem nenhum proveito político como a busca de fatos? O presidente da França, com certeza, não está.

Sua última ideia a respeito do assunto é acabar com a “dependência” que a França teria da soja brasileira – indispensável para a sua produção de proteínas. Disse que estava sendo “coerente”: quem defende a Amazônia e o meio ambiente tem de ser contra o Brasil e a agricultura brasileira. Do que ele está falando? O Brasil produziu 135 milhões de toneladas de soja em sua última safra; a Europa inteira mal chegou às 3 milhões. Como vai resolver isso? Não vai e, pelo jeito, não está preocupado com os aspectos físicos dessa história toda. Como se sabe, existem dois tipos básicos de ignorância: a involuntária e a voluntária. A primeira tem remédio. Para a segunda não se conhece solução.

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9 comentários

  1. Eu concordo que ele , como presidente da França, lute para conseguir a autossuficiência de seu país em soja. Nada contra isso daí, aliás isso não passa de uma obrigação dele. O problema dele é que não sabe como fazê-lo e fica a criticar quem sabe. Pessoalmente essa história de Amazônia, é justificativa para outros planos que ele tem e vale lembrar que não foi a primeira, nem a segunda e nem será a última vez que a França tentou a ainda tentará ocupar uma grande área deste país. Chegaram até a fundar, nos tempos coloniais, uma colônia denominada França Antártica, cuja capital era a cidade do Rio de Janeiro, para se ter uma ideia da obsessão desses franceses por essas “terrae australis”

      1. Ele está jogando pra sua torcida, mas lhe falta credibilidade.

    1. Esse presidente francês está apenas tentando jogar uma nuvem de fumaça nos problemas internos do seu próprio país . A grande maioria dos franceses já estão fartos de sua administração , da invasão descontrolada de imigrantes miseráveis e da nítida deterioração da capital do país que se tornou uma cidade suja , fétida e com um sensível crescimento da criminalidade.

  2. Guzzo sempre inspirado.
    As esquerdas estarão unidas pra banir Bolsonaro a qualquer preço.
    Esperemos que a maldade e o maquiavelismo não vençam, que haja resistência a essas pragas…..
    E que o inferno esteja pronto pra esses políticos aliados do mal!

  3. Macron defende os interesses corporativistas do agronegócio do seu país (que está perdendo, há décadas, feio para a competência do produtores brasileiros).
    O problema maior é que Macron joga sujo, aproveitando-se da ignorância militante (tanto lá como aqui).
    A esquerdalha aqui cai fácil, fácil no logro do presidente francês, servindo de idiotas úteis a colaborar com interesses econômico-estratégicos (geopolíticos) de nação estrangeira, em detrimento dos interesses nacionais.

  4. Dá um estágio pra esse idiota na EMBRAPA. Aproveita e leva a Dilma pra cozinhar com sua amiga comunista Anne Hidalgo, prefeita de Paris.
    É só os brasileiros deixarem de ir na França, estanca a entrada de euros que compraria a nossa soja, o que não faria falta não é sr social democrata estúpido!
    Vai se catar bossal, sua batata está assando!!!

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