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Israel lembrou, nesta terça-feira, dos mil dias desde os ataques de 7 de outubro, com cerimônias e marchas em memória das vítimas do Hamas. Eventos organizados pelo October Council reuniram famílias, sobreviventes e ex-reféns, incluindo um minuto de silêncio às 6h29, horário do ataque. O chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Eyal Zamir, destacou o impacto contínuo da guerra e a necessidade de prontidão militar.
Os ataques de 7 de outubro em Israel completam mil dias nesta quinta-feira, 2. Em todo o país, foram realizadas cerimônias, marchas de memória e atos públicos voltados à lembrança das vítimas da ação do grupo terrorista Hamas e ao impacto contínuo da guerra sobre a sociedade israelense.
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Desde o amanhecer, famílias enlutadas, sobreviventes, ex-reféns e parentes de mortos se reuniram em diferentes pontos do país em eventos organizados pelo October Council (Conselho de 7 de Outubro). Às 6h29, horário exato do início do ataque, foi realizado um minuto de silêncio nacional, seguido de cerimônias que se espalharam das comunidades próximas à fronteira com Gaza até centros urbanos, como Tel-Aviv.
A data também coincidiu com os primeiros dias da 22ª Macabíada, que se iniciou na terça-feira 30. O evento, adiado em 2025 por causa da guerra com o Irã, reúne atletas judeus de diversos países e também israelenses, com competições em várias modalidades, realizadas principalmente em Israel.
Em meio às homenagens, houve uma marcha de familiares até a Praça dos Reféns, que foi temporariamente renomeada como Praça da Memória, que reuniu milhares de pessoas em um ato de homenagem e reflexão sobre os efeitos prolongados do ataque.
As Forças de Defesa de Israel (FDI) divulgaram dados atualizados sobre o volume de ataques enfrentados desde o início da guerra. Segundo o Exército, mais de 30 mil projéteis atingiram o território israelense ao longo dos mil dias, incluindo mísseis, foguetes e drones.
O levantamento militar detalha mais de 20 mil projéteis lançados a partir do Líbano, mais de 10 mil da Faixa de Gaza, mais de mil do Irã, além de dezenas de ataques vindos do Iêmen e da Síria.
O chefe do Estado-Maior das FDI, tenente-general Eyal Zamir, classificou o marco como simultaneamente um momento de lembrança e de alerta operacional. “Hoje marcam-se mil dias desde a eclosão da guerra mais longa da nossa história”, afirmou o militar. “Começou com uma falha grave e com a pior tragédia da história do Estado de Israel.”
Zamir acrescentou que, depois do choque inicial, Israel conduziu operações que resultaram em “conquistas sem precedentes”, mas ressaltou que o conflito ainda está em andamento. Ele destacou o Irã como foco central da preparação militar e afirmou que todos os fronts permanecem ativos e interconectados, exigindo prontidão para escalada imediata.
O comandante também enfatizou o desgaste prolongado das tropas depois de quase três anos de operação contínua. Ele considera que os soldados da ativa, de carreira e reservistas são o principal ativo estratégico do país.
No campo social, relata a emissora norte-americana Fox News, o impacto da guerra se reflete de forma direta em crianças e adolescentes, especialmente em comunidades próximas às fronteiras. Famílias têm se queixado de uma rotina marcada por interrupções escolares, deslocamentos e períodos recorrentes de insegurança desde 2023.
Moradores de áreas como Kibutz Eilon, na Galileia, no norte, descreveram dificuldades prolongadas para manter a rotina escolar dos filhos, com períodos em que as crianças permaneciam longos intervalos fora da escola e confinadas em casa durante episódios de combate.
No Kibutz Yiftah, também no norte israelense, famílias relataram sucessivas mudanças de escola após evacuações e longos períodos de ensino remoto. Em alguns casos, crianças passaram semanas consecutivas fora das salas de aula durante novos ciclos de conflito. Tudo por causa dos ataques do grupo terrorista Hezbollah, em solidariedade ao Hamas.
O trauma de 7 de outubro em Israel
Profissionais de saúde mental em Israel relatam sinais persistentes de trauma infantil. Segundo uma especialista do sistema de saúde, os sintomas variam amplamente e incluem regressões comportamentais, distúrbios emocionais e reprodução de cenas de guerra em brincadeiras.
“O trauma é real, e as crianças nem sempre conseguem expressá-lo em palavras”, afirmou a especialista. “Elas revivem o que viram e viveram nas brincadeiras.”
Dados citados por autoridades de saúde e seguridade social indicam mais de 25 mil crianças reconhecidas oficialmente como vítimas de atos hostis desde 7 de outubro de 2023, além de pesquisas que apontam índices elevados de sofrimento emocional entre menores depois do início do conflito.
A mesma especialista alertou ainda para o efeito das férias escolares prolongadas, ao afirmar que a ausência de rotina pode intensificar a ansiedade infantil, mesmo quando representa afastamento de situações estressoras.
O Ministério da Educação de Israel informou que mantém programas de verão para mais de 1 milhão de estudantes, com atividades educacionais e de apoio emocional. As iniciativas incluem reforço em áreas como matemática, ciência, inglês e tecnologia, além de serviços de acompanhamento psicológico.
Leia também: “O estudante e o soldado”, reportagem de Eugenio Goussinsky publicada na Edição 318 da Revista Oeste
Também foram mantidas linhas de apoio e serviços de aconselhamento psicológico durante o período de férias, com o objetivo de garantir continuidade no suporte a alunos em situação de vulnerabilidade.
Paralelamente, organizações civis promovem colônias de férias voltadas a crianças afetadas diretamente pela guerra. Mais de 400 menores que perderam familiares em ataques ou ações militares participam de iniciativas que combinam recreação e acompanhamento terapêutico.
Atividades esportivas e sociais são integradas a rodas de conversa e apoio psicológico em grupo. Isto permite que crianças compartilhem experiências de perda e construam vínculos com outras vítimas diretas do conflito.
Organizadores desses projetos afirmam que o contato entre crianças com experiências semelhantes reduz o isolamento emocional e facilita processos de elaboração do luto, o o que cria um ambiente de apoio coletivo fora do contexto clínico tradicional.
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