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Milagre colombiano

Na Colômbia, vitória de De la Espriella e camisa amarela da seleção se unem como símbolos da guinada conservadora que atravessa a América Latina

Abelardo de la Espriella, eleito presidente da Colômbia | Foto: REUTERS/Jair Coll
Abelardo de la Espriella, eleito presidente da Colômbia | Foto: Reuters/Jair Coll

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A Colômbia vive um momento de transformação política e esportiva, com a seleção mostrando rigor tático na Copa do Mundo de 2026 e a eleição de Abelardo de la Espriella à presidência, marcando uma guinada à direita. A camisa amarela da seleção tornou-se símbolo de identidade nacional, enquanto a esquerda falhou ao tentar judicializá-la. De la Espriella propõe uma agenda de 90 decretos focada em desregulamentação e combate ao narcoterrorismo, refletindo um desejo por ordem e segurança.

A Colômbia vive uma sintonia entre história política e paixão esportiva. Enquanto a seleção exibe rigor tático na Copa do Mundo de 2026, as urnas consagraram uma virada histórica: a eleição de Abelardo de la Espriella à presidência, consolidando a guinada à direita que redesenha o tabuleiro geopolítico da América Latina. No epicentro dessa catarse, a camisa amarela da seleção converteu-se no maior símbolo de disputa e identidade nacional. A tentativa da esquerda de judicializar a vestimenta provou-se um erro estratégico. Ao apropriar-se do amarelo, De la Espriella decodificou o sentimento de uma maioria silenciosa cansada de associar os símbolos pátrios ao declínio, canalizando o orgulho popular para seu projeto de reconstrução institucional.

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Esse fenômeno insere-se no realinhamento conservador que varre a América Latina. Depois de anos de governos progressistas marcados por estagnação econômica e criminalidade, o eleitorado redescobriu o valor da ordem, da segurança jurídica e do livre mercado. Do Cone Sul ao ecossistema andino, a nova direita compreende que a soberania exige instituições fortes e alianças estratégicas claras. A proposta de De la Espriella de alinhar a Colômbia à vanguarda diplomática ocidental reflete essa mudança geopolítica, transformando o amarelo da “Tricolor” no emblema visual desse despertar regional.

Leia também: “O fracasso do Desenrola” artigo de Carlo Cauti na Edição 329 da Revista Oeste

Para tanto, De la Espriella estruturou uma agenda agressiva de 90 decretos para os primeiros 100 dias, focados em desregulamentação, investimentos e tolerância zero ao narcoterrorismo. Projetos estratégicos antes paralisados, como a interconexão elétrica com o Panamá, ganham uma urgência que espelha o contra-ataque veloz do futebol. A economia, sob essa ótica, deve funcionar como um meio-de-campo entrosado: menos entraves estatais, passes precisos ao setor produtivo e defesa intransigente da propriedade privada e da segurança pública, garantindo as regras fundamentais para a sociedade prosperar.

Futebol e política revelam-se complementares

Nessa intersecção, futebol e política revelam-se complementares. O desempenho avassalador da seleção no mundial reflete uma nação que redescobriu a disciplina e a mentalidade vitoriosa. O sucesso em campo mostra que o êxito exige liderança firme e planejamento rigoroso — premissas centrais que levaram De la Espriella ao poder. Há uma simbiose psicológica entre a confiança de um povo que vê seus atletas vencerem potências globais e a coragem desse mesmo eleitorado de romper com o marasmo econômico, alimentando mutuamente a glória esportiva e a eficácia governamental.

O reconhecimento dos resultados pela oposição encerra o ciclo de incertezas e abre caminho para a transição. Ao discursar em Barranquilla vestindo orgulhosamente a camisa amarela que a justiça tentou banir, De la Espriella sinalizou o fim da timidez política. A Colômbia entra no segundo semestre de 2026 com os olhos no topo do mundo, acompanhando sua seleção rumo às fases decisivas e monitorando reformas que prometem destravar as forças vivas do país. O milagre colombiano está em campo e nas urnas, resta agora consolidá-lo com a mesma garra demonstrada nos gramados.

Leia também: “Babá do Brasil” artigo de Augusto Nunes e Cristyan Costa na Edição 329 da Revista Oeste

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