Na Argentina, o inimigo é o agro

Com o mais primitivo de todos os argumentos econômicos – o de que os preços internos estão subindo muito –, o governo proibiu por 30 dias as exportações de carne
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Presidente da Argentina, Alberto Fernández | Foto: Casa Rosada
Presidente da Argentina, Alberto Fernández | Foto: Casa Rosada

J.R. Guzzo

(Publicado na Gazeta do Povo, em 20 de maio de 2021)

Países como o Brasil, os Estados Unidos e a Argentina, entre poucos outros, receberam da natureza o presente, hoje em dia mais valioso do que nunca, de terem em seu território a maioria das condições necessárias para fazer deles grandes nações agrícolas. Brasil e Estados Unidos, em condições e em áreas diferentes, se alternam atualmente como os dois maiores produtores e exportadores de alimentos do planeta. A Argentina afundou.

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Não faltaram à Argentina excelência de solo, bom clima, água, competência e amor ao trabalho rural por parte dos seus agricultores e pecuaristas. O que houve, isso sim, foi uma ação francamente suicida por parte dos governos de esquerda destes últimos quinze anos – na verdade, uma guerra contra os seus próprios produtores. É a Argentina no seu papel de estrela do “Foro de São Paulo” e de farol das teorias esquerdistas na América do Sul. Em vez de disputar os mercados com os seus competidores mundiais no agronegócio – e apoiar o único setor da sua economia que está em condições de funcionar bem – o governo faz questão de tratar o produtor argentino como inimigo da sociedade e da pátria.

Mais uma vez, agora, o governo da Argentina decide agredir com fúria o seu agro. Com o mais primitivo de todos os argumentos econômicos – o de que os preços internos estão subindo muito – proibiu por 30 dias as exportações de carne. O produtor, que o governo quer punir, não tem nada a ver com o preço da carne no açougue. Os preços sobem porque as cotações internacionais estão em alta, e esse é o único preço que se pode praticar. Mais: nos últimos doze meses, pela inépcia grosseira do governo, a inflação na Argentina está a caminho de bater nos 50% e, automaticamente, o dólar sobe junto. Só isso já mandaria os preços lá para cima; com a alta das cotações internacionais, soma-se a fome à vontade de comer, e é impossível para o produtor cobrar menos do que cobra pelo seu produto.

O governo da Argentina consegue, assim, transformar em desgraça o que deveria ser uma bonança – a oportunidade de forrar de dólares as reservas internacionais de divisas que dão oxigênio vital à economia do país. Para completar, e com o mesmo raciocínio insensato, também adotou restrições à exportação de grãos e laticínios – como são produtos que fazem sucesso no mercado externo, é preciso então, segundo o governo, castigar os produtores que estão “lucrando” com a sua venda. Enquanto o agro do Brasil, apesar da desgraça da economia em geral, bate recordes e mantém o país vivo, a Argentina leva a ruína ao único setor que vale alguma coisa no seu sistema produtivo

Quinze anos atrás, no governo de esquerda de Nestor Kirchner, a Argentina promoveu uma calamidade igual – com a agravante de que ela durou cinco anos inteiros, de 2006 a 2011. O argumento, típico da cabeça “socialista” do peronismo ao estilo do casal Kirchner, se baseava num despropósito completo: era “injusto”, segundo o governo, que os produtores rurais “lucrassem” com a venda de carne, enquanto “os pobres” não tinham sequer um bezerro magro para vender.

Kirchner, na ocasião, bloqueou as exportações de carne por seis meses, estabeleceu um peso mínimo para o abate e triplicou os impostos nas vendas de carnes processadas para o exterior, além de acionar uma porção outras travas. O homem parecia determinado a destruir a atividade mais rentável e competitiva da economia do seu país, em nome da “justiça social”, da “igualdade” e outros disparates.

O preço disso tudo foi arrasador. As exportações caíram 70%. Cerca de 20% do rebanho de gado argentino teve de ser eliminado, ou mais de 10 milhões de cabeças; no Brasil, isso equivaleria ao extermínio de cerca de 50 milhões de bois e vacas. O consumo interno caiu, em vez de aumentar. A produção total do país diminuiu 20%. A pecuária, como um todo, perdeu mais de 30 bilhões de dólares em ativos. Os preços, passado o efeito da anestesia temporária, voltaram a disparar – 300% ao fim da aventura, contra 200% de inflação no período.

É isso, precisamente, que estão tentando fazer de novo. A Argentina, que apesar de todas as suas doenças econômicas era o terceiro maior exportador de carne do mundo quinze anos atrás, sumiu da lista dos dez maiores durante o experimento socialista de Kirchner. O Brasil, que durante décadas foi considerado incapaz de jogar neste time, engoliu todos os competidores. Hoje é o maior produtor e exportador mundial de carne bovina – e ocupa o primeiro lugar, também, na venda de frangos e suínos. Com o fim do delírio peronista, e durante o curto período de racionalidade que já foi encerrado com a volta da esquerda ao governo, a Argentina recuperou várias posições no ranking, e voltou a estar entre os grandes. Agora, pelo que parece, o peronismo está decidido a repetir a dose.

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12 comentários Ver comentários

  1. Os argentinos merecem. Eles elegeram uma criminosae seu fantoche. Agora que aguentem. Será que não é a hora de o Brasil abandonar o MERCOSUL? Sendo a Argentina nosso principal “parceiro” e sendo esse parceiro tão nocivo, parece não haver sentido nesse grupo econômico. Não me recordo de ações positivas da Argentina que tenham favorecido o bloco. A Argentina é um país fadado ao fracasso. Vai acabar sendo invadido e colonizado por alguma potência nuclear, quem sabe a Coreia do Norte.

  2. Na contracorrente de todos os comentários aqui postados, eu já acho ótimo que o “milonguero” Fernández, continue com essa política, pois irá em muito, beneficiar o agro brasileiro, com o simples extermínio de um concorrente nosso. E ainda acham ruim? Deixem o Fernández fazer o que deve ser feito!

  3. Essa comunistada Argentina certamente vem se assessorando por aqui com os tupiniquins da “resistência”, aproveitando os 30 anos de incompetência e desonestidade na gestão da coisa pública.
    E insistem em declarar que governam para os excluídos.
    São formadores de excluídos.

  4. Alerta para o Brasil…afinal, nada é mais daninho a um comunista que o agro pujante e lucrativo…..afinal, fome é uma das especialidades do comunismo..( vide Grande marcha na China, as medidas estatizantes de Stalin ,Coreia do Norte, Venezuela, Cuba) e outros paraisos

  5. Esquerdista é aquele tipo de deficiente mental que acredita que todos os problemas podem ser resolvidos com a publicação de leis, normas e proibições.

    1. Que os brasileiros que ainda acreditam nesses doentes ladrões da esquerda caiam na real e vejam o que lhes aguarda com esses vampiros. Será que só vão acreditar no dia que o dinheirinho não cair na conta?

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