O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rejeitou a criação de uma comissão estatal de inquérito independente para investigar as falhas que permitiram a ocorrência dos ataques de 7 de outubro, durante o debate das 40 assinaturas no Knesset.
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Ele passou cerca de 20 minutos, nesta segunda-feira, 10, sem abordar o assunto e, quando tratou do tema, posicionou-se contra o modelo tradicional israelense, no qual os integrantes são escolhidos pelo presidente da Suprema Corte e atuam sem influência do governo.
“A questão não é apenas o que investigamos, a questão crucial é quem investiga a verdade”, disse Netanyahu, em seu discurso. Ele manifestou discordância em transferir a apuração para um órgão com autonomia plena, poder de convocação, acesso a materiais sigilosos e capacidade de emitir recomendações individuais.
Netanyahu, com isso, se opõe ao modelo clássico de investigação. A rejeitar esse tipo de investigação, o primeiro-ministro se distancia também dos representantes das famílias enlutadas, que chegaram a virar de costas para ele no plenário durante a fala, em protesto contra a ausência de um mecanismo independente.
Risco para o governo de Netanyahu
Um dos temores de Netanyahu é repetir os desdobramentos da Comissão Agranat, criada depois da Guerra do Yom Kippur, de 1973. Ela recebeu esse nome por ter sido presidida por Shimon Agranat, então presidente da Suprema Corte.
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O colegiado tinha cinco integrantes: Moshe Landau (da Suprema Corte), Yitzhak Nebenzahl (Controlador do Estado), o general da reserva Yigal Yadin (ex-chefe do Estado-Maior) e o general da reserva Haim Laskov (também ex-chefe do Estado-Maior).
A estrutura buscava garantir independência institucional. A comissão trabalhou a portas fechadas, na presença do procurador-geral do país, Meir Shamgar. Foram 140 sessões e 58 depoimentos.
A Agranat investigou falhas de inteligência, prontidão e avaliação estratégica. Seus trabalhos levaram ao afastamento de David Elazar (Dado), chefe do Estado-Maior, considerado responsável pela falta de preparo das tropas, e de Eli Zeira, chefe da Inteligência Militar, criticado por sustentar o “conceito” de que o Egito não atacaria. As conclusões tiveram impacto direto na carreira de ambos.
Embora a comissão não tenha atribuído responsabilidade formal à liderança política, a pressão pública resultou na renúncia de Golda Meir e Moshe Dayan meses depois. O modelo se consolidou como referência histórica de investigação independente.
A discussão atual repete a mesma questão. Se uma nova “Agranat” se formar, como ocorreu com o governo israelense naquela época, Netanyahu corre risco de deixar o cargo, caso seja responsabilizado de alguma maneira. Mesmo que indiretamente.






































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