Queixas ligadas ao cotidiano de Nova York, como urinar nas ruas e uso de drogas em público, apresentaram crescimento expressivo nos últimos meses, segundo dados oficiais da polícia local. Especialistas e moradores ouvidos pelo jornal The New York Post temem que a situação se agrave com a posse do prefeito eleito, o socialista Zohran Mamdani.
O Departamento de Polícia de Nova York (NYPD) registrou, de 1º de janeiro a 7 de dezembro, um aumento de 20% nas reclamações sobre urina em público, 16% em relação ao consumo de drogas nas ruas, 10% de bebida alcoólica, 15% em barulho e 11% de estacionamento irregular. Apenas ocorrências de pichações e carros abandonados tiveram redução, com quedas de 22% e 3%, nessa ordem.
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O prefeito em fim de mandato, Eric Adams, ex-capitão do NYPD e também do Partido Democrata, criou neste ano equipes especiais de qualidade de vida para lidar com esses incômodos nos bairros. Já Mamdani, que assume a prefeitura em janeiro, pretende modificar a abordagem policial, para transferir parte das ações para civis.

Com um orçamento de US$ 1 bilhão, o Departamento de Segurança Comunitária de Mamdani prevê que civis atendam chamados de saúde mental, ao invés vez de policiais. O prefeito também pretende impedir o desmonte de acampamentos moradores de rua e instituir transporte por ônibus gratuito em toda a cidade, a fim de manter carros fora das ruas e reduzir reclamações de barulho. Ele também sinaliza ignorar ordens federais a respeito de imigrantes.
O vereador Robert Holden, do Partido Democrata, critica as propostas do correligionário. “A qualidade de vida nesta cidade está em queda livre e os números provam isso”, disse ao ao New York Post. “Com Mamdani assumindo depois de apoiar cidades de barracas e impulsionar as mesmas ideias radicais que ajudaram a criar essa bagunça, as coisas não vão melhorar, e a cidade vai continuar pegando fogo.”
Eugene O’Donnell, professor da Faculdade John Jay de Justiça Criminal e ex-policial, acredita que os dados não refletem toda a insatisfação popular. Segundo ele, muitos cidadãos sentem que suas queixas são ignoradas e questionou se Mamdani realmente considera esses problemas relevantes.

Moradores também relatam insegurança. “Mais urina, mais lixo”, reclamou a comerciante Victoria DeLuca, de 56 anos. “Eu simplesmente não sei se isso algum dia vai ser controlado. Vamos virar Califórnia ou Filadélfia.”
“Quando me mudei para cá em 2005 eu me sentia seguro, não mais.” disse Kenneth French, que trabalha na Universidade de Nova York. Ele afirmou que ele e o marido já foram atacados no metrô por um grupo de jovens, e que até seus cães são ameaçados. “Meus cães ficaram chapados por comer maconha. Tive de levá-los ao pronto-socorro.”
Entre 2018 e o ano passado, reclamações ligadas à deterioração da qualidade de vida dobraram, o que levou o prefeito Eric Adams e a comissária Jessica Tisch a criarem, em abril, equipes de qualidade de vida, conhecidas como “Q teams”.

Resultados das equipes de qualidade de vida em Nova York
Desde 25 de agosto, quando essas equipes começaram a operar integralmente, chamadas por barulho ao 311 subiram 15% em relação ao ano anterior, autuações por barulho cresceram 44,6%, denúncias de estacionamento irregular avançaram 14,7% e multas por estacionamento ilegal aumentaram 14,8%.
O NYPD atendeu 531 mil chamadas pelo 311 nesse período, 9% a mais que em igual intervalo anterior. O tempo médio de resposta teve redução de cerca de 20 minutos, e pesquisa pública apontou 70% de melhora na satisfação com o atendimento das queixas desde janeiro. Jessica Tisch negou que o trabalho das equipes represente retorno à “tolerância zero”, política dos anos 1990 criticada por atingir mais bairros negros e latinos.

Adams justifica o crescimento das reclamações dizendo que, com a queda dos crimes graves, mais pessoas passaram a relatar incômodos cotidianos. “Quando se reduz crimes violentos, abre-se espaço para outros temas importantes para a população.” Ele acrescentou que questões como barulho e descarte irregular de lixo estão sendo enfrentadas.
“Esperamos que a próxima administração escute os nova-iorquinos e mantenha esses programas essenciais para a qualidade de vida nos próximos quatro anos”, defendeu Adams. Representantes de Mamdani não responderam aos pedidos de posicionamento do New York Post.
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